Capital indutora do turismo

O prefeito de Belo Horizonte diz que a capital está consolidada como opção para sediar grandes eventos, afirma que uma das prioridades do plano “BH Metas” é a construção de um novo Centro de Convenções e argumenta que o programa de obras da PBH não tem como horizonte único a Copa de 2014.

Por Asaad Abrahão
Fotos Isabel Baldoni/Secom PBH



O trade turístico de Belo Horizonte adotou o discurso de que a capital é hoje um dos principais destinos do Brasil para turismo de negócios, além de investir em estratégias de marketing que tem como mote fatores como a infraestrutura viária, a segurança, os atrativos culturais, os bares e a gastronomia. O senhor concorda e avaliza esta estratégia?

Belo Horizonte é reconhecida, hoje, pelo extenso leque de opções — culturais, de lazer, entretenimento e infraestrutura para eventos e negócios — que apresenta para públicos diversos. Essa qualificação já foi atestada por estudo do Ministério do Turismo, Fundação Getúlio Vargas e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em que a cidade ficou acima da média de outras capitais e da média nacional como indutora do turismo. Treze dimensões foram avaliadas no estudo e Belo Horizonte atingiu nota 69 — a média das outras capitais foi de 59,3 e a nacional, 52 — o que demonstrou que a capital está preparada para receber o turista. Perfil que foi comprovado com a escolha da capital como cidade-sede para os jogos da Copa do Mundo de 2014 e com a consolidação de Belo Horizonte como opção para grandes eventos.


Como o senhor vê iniciativas do trade, como a do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, de lançar campanhas institucionais como a campanha “Eu Amo BH Radicalmente”?

Essas iniciativas são importantes porque promovem Belo Horizonte como destino turístico e, além do mais, elevam a auto-estima dos belo-horizontinos. As campanhas institucionais, ao lado de ações em todos os setores como os de hotelaria, gastronomia, cultura e lazer, mostram que o trade turístico está mobilizado para — cada vez mais — atrair um número maior de visitantes para Belo Horizonte. No final, todos saem ganhando, com a geração de empregos e renda.


Além do Expominas e do Minascentro, o trade reclama da ausência de mais um grande e moderno espaço que seria destinado apenas às convenções. Faz parte da agenda da PBH a construção deste novo Centro de Convenções?

O Turismo em BH é um dos nossos quarenta projetos sustentadores que fazem parte do planejamento estratégico de Belo Horizonte — o BH Metas e Resultados, lançado no ano passado. Neste planejamento está previsto a construção de um novo Centro de Convenções, uma das nossas prioridades.


Prefeito, hoje, neste início de 2010, o que efetivamente existe de concreto em relação à tão sonhada obra de ampliação do metrô de BH?

As linhas dois (Calafate/Barreiro) e três (Savassi-Lagoinha) do metrô são nossas reivindicações junto ao Governo Federal. Estamos aguardando para breve o anúncio do PAC 2 e estamos lutando para que estas duas obras sejam contempladas.


Com relação à Rodoviária, quais foram os motivos, na opinião do senhor, para que uma capital do porte de BH ter demorado tanto tempo para definir a construção de um novo terminal?

Não acho que demoramos muito tempo para definir a construção de um novo terminal. Quando assumimos a Prefeitura tínhamos um compromisso com a cidade de fazer um novo estudo sobre qual a melhor localização da Rodoviária, levando-se em consideração, a curto, médio e longo prazos, os impactos ambientais, sociais, econômicos e de mobilidade urbana. Além disso, também tínhamos o compromisso de ouvir todos os envolvidos com a questão. Depois de um estudo técnico e do debate com a comunidade, decidimos pela construção do Terminal Rodoviário na região Norte, mais exatamente no bairro São Gabriel. Esse novo empreendimento irá proporcionar expansão econômica e geração de empregos e renda sem provocar impactos negativos na região nem no presente e nem no futuro.


Às vésperas da Copa da África do Sul, e com o pensamento voltado para a Copa de 2014, o senhor já tem como definir quais são as obras que efetivamente vão acontecer em Belo Horizonte nos próximos anos?


Nosso programa de obras não tem como horizonte único a Copa de 2014. Nautralmente este é um evento de grande porte, que vai acelerar muitas obras, principalmente aquelas no setor de transporte e infraestrutura. Mas, há muito tempo que Belo Horizonte tem sido contemplada com obras de grande porte como a duplicação da avenida Antônio Carlos, feita em parceria com o Governo do Estado, a construção da Linha Verde, o Bulevard Arrudas, a criação de pistas exclusivas para ônibus, nas avenidas Senhora do Carmo e Antônio Carlos, a revitalização dos espaços públicos e das praças da Estação e Raul Soares. Em breve, iremos iniciar a construção do Hospital Metropolitano, no Barreiro, e teremos também a reforma do Anel Rodoviário. São obras que ganham impulso com a Copa do Mundo de 2014, mas que ficarão como um grande legado para a população.


É sabido que caderno de encargos da FIFA é extremamente exigente. O senhor acha que BH, inclusive no que depender de investimentos da iniciativa privada, vai conseguir atender a todas as exigências deste caderno?

Como eu já disse, Belo Horizonte vem há muito tempo no processo de execução de obras em todas as regiões da cidade. Muitas destas obras, em parceria com o Governo Federal e com o Governo do Estado e que atendem às exigências da FIFA, já estão em andamento. O principal foco da Copa é a ligação entre o centro da cidade, o estádio e os aeroportos. Vamos duplicar a Pedro I, implantar um corredor de ônibus ligando a Lagoinha até a MG-10 e até Confins, o Mineirão e o Aeroporto da Pampulha. O Mineirão será modernizado com recursos do Governo do Estado e a Infraero já está investindo no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. A iniciativa privada também já percebeu que o momento é de investir em hotelaria e teremos um bom número de novos empreendimentos no setor nos próximos anos, ampliando de maneira considerável o número de leitos na cidade. As autoridades e os empresários estão trabalhando em parceria em vários empreendimentos e, portanto, tenho a certeza que Belo Horizonte vai fazer bonito na Copa do Mundo de 2014.


De um modo geral, como o senhor vê a movimentação cultural da cidade?

Belo Horizonte é hoje referência cultural e tem sido palco de grandes eventos, inclusive internacionais. Mais de uma dezena de edições do Axé Brasil, que tem média de público de 120 mil pessoas e é reconhecido como o maior evento de música baiana no país, foram realizadas na cidade. A capital é palco também para o Arraial de Belô que, com mais de 30 edições, é uma festa junina comparável aos tradicionais forrós do Nordeste do país, e atrai visitantes pelo título de “capital nacional dos bares” e eventos como o “Comida di Buteco”. Eventos promovidos pela Prefeitura, como Festival Internacional de Teatro (FIT-BH) e o Festival de Arte Negra (FAN) também já são referência mundial; o FIT, em dez edições, já reuniu um público de mais de um milhão de pessoas trazendo à cidade atrações que são destaque em todo o mundo.


Como o senhor definiria as diretrizes de sua administração para o setor cultural?


A Prefeitura de Belo Horizonte investe cotidianamente na área cultural da cidade ao garantir a manutenção de diversos equipamentos culturais, a existência de programas e projetos permanentes, bem como a de mecanismos como a Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Todo esse investimento está voltado para o fomento, a ampliação e o aprimoramento da infraestrutura existente nos espaços formais de cultura da cidade, o que cria efetiva possibilidade de transformação. A Cultura é também um dos nossos projetos sustentadores porque acreditamos que ela pode ser o caminho para a inclusão social, a geração de oportunidades de trabalho e negócios e do fortalecimento da identidade dos cidadãos com sua cidade. Nossa estratégia é fomentar as oportunidades de criação e produção cultural.


Recentemente, a PBH proibiu a realização de grandes eventos na Praça da Estação e, inclusive, aconteceram protestos contra a medida. A proibição permanece, é definitiva?

Nós criamos uma comissão que está estudando a utilização dos espaços públicos e, em especial a Praça da Estação, sem que haja prejuízo para o patrimônio e tampouco que venha a trazer incômodo para os moradores do entorno da praça. A nossa decisão de suspender temporariamente os eventos na Praça da Estação teve este objetivo: preservar o local para evitar os danos que estavam ocorrendo. Em breve teremos uma posição definitiva sobre o assunto sem prejuízo para a comunidade.


Se o senhor fosse criar um roteiro especialmente para um turista conhecer Belo Horizonte, quais seriam as suas sugestões?


Belo Horizonte é muita rica em atrativos culturais e naturais. Corro o risco de cometer alguma injustiça, mas me arrisco a sugerir um roteiro que comece pelo Mercado Central, passe pelos nossos parques Municipal e das Mangabeiras, pelas praças Raul Soares e da Estação, continue pelos nossos museus Abílio Barreto e de Artes e Ofícios. É preciso também conhecer a feira de artesanato da Afonso Pena, se for um domingo, e os centros comerciais da Savassi e o do Barro Preto, que é o nosso pólo de moda. Para terminar, uma ida ao Parque Ecológico da Pampulha e, aproveitando que está perto, conhecer o conjunto arquitetônico formado pelo Mineirão, Mineirinho, Museu de Arte Moderna, Casa do Baile e, principalmente, a Igrejinha de São Francisco. Na mesma região da Pampulha, a partir de março, Belo Horizonte vai ganhar o maior aquário temático de peixes de água doce do Brasil, que é o Aquário da Prefeitura – Bacia do São Francisco, que será inaugurado no Zoológico. Para terminar, o turista deve aproveitar a vida noturna da cidade, com várias opções culturais e fechar a noite nos bares e restaurantes, para conhecer o que há de melhor da nossa gastronomia. Acho que este pode ser um roteiro básico para quem visita a nossa capital. E, com certeza, o turista também perceberá que Belo Horizonte é uma cidade com uma ótima qualidade de vida e tem um povo que sabe receber de braços abertos os nossos visitantes.
 

 

 



"Estudo do Ministério do Turismo, Fundação Getúlio Vargas e Sebrae, mostra que Belo Horizonte ficou acima da média de outras capitais e da média nacional como indutora do turismo."