Conjugação de saber e entretenimento

A Academia de Idéias, dirigido pelo publicitário Alexandre Michalick, é um projeto cultural ousado que conquistou seu público em Belo Horizonte.
 

Por Patrícia Castro
Foto Fernando Grilo


O projeto nasceu quando o empresário Alexandre Michalick (também pós-graduado em Marketing) deixou a gerência de Comunicação e Marketing do CREA-MG, após o fim do mandato do então presidente da entidade. Michalick não sabia se investia em um aperfeiçoamento profissional ou se apostava no mercado. “O período econômico era difícil. O Brasil passava pelo escândalo do mensalão”, lembra. Decidiu, então, viajar para os Estados Unidos com o intuito de analisar as tendências de mercado naquele país. “Não vi nada que me chamou a atenção”, diz. Curiosamente, a inspiração estava bem mais perto, em São Paulo. Trata-se da Casa do Saber, um lugar que congrega cursos nas áreas de arte e cultura. “Tentei trazê-los para Belo Horizonte, mas a parceria não deu certo. Então decidi tocar, por conta própria, um projeto similar”, afirma.


Quatro cursos mensais

Em funcionamento desde 2006, a Academia de Idéias oferece quatro cursos mensais no terreno da filosofia, artes plásticas, história, cinema, comportamento, literatura, cultura brasileira, psicologia e psicanálise. Com o objetivo de diminuir os custos para o consumidor final, o empresário concorreu e conseguiu o apoio da Lei de Incentivo à Cultura. As aulas acontecem uma vez por semana durante um mês.

Dois grandes expoentes nacionais sempre integram o cronograma das aulas. Neste ano, a equipe da Academia de Idéias conseguiu trazer, entre outras personalidades, Bruno Barreto, Ney Latorraca, Tom Zé, o antropólogo Roberto DaMatta e a escritora Adélia Prado que falou sobre o amor.

Para escolher os temas e os palestrantes, Alexandre Michalick conta com o suporte de um conselho curador, mas também não abre mão de indicações dos alunos, convidados e do próprio feeling que advém da sua percepção do mercado.


Senso crítico

Outro diferencial que, segundo Michalick, contribui para o sucesso do lugar, são as instalações, a conjugação de saber e entretenimento, além do serviço oferecido nos intervalos dos cursos. As palestras acontecem em um espaço aconchegante que em nada remetem ao ambiente acadêmico ou escolar. Sofás e cadeiras são muito confortáveis para os alunos. “As pessoas precisam estar relaxadas para poder assimilar melhor o conhecimento”, explica. “A idéia é, por exemplo, discutir Nietzsche de um modo inteiramente acessível, para leigos, e, assim, despertar nos alunos o interesse pelo assunto. Buscamos oferecer conhecimento de um modo que não seja pedante”, afirma. Entre uma atividade e outra, vinhos, buffet e bate papo garantem o clima descontraído. É só observar para perceber que a gentileza também é um diferencial. Sempre presente, o empresário faz questão de acompanhar os alunos até a porta ao final de cada curso.

Alexandre Michalick conta que o público freqüentador é bem eclético. “O perfil de quem procura a academia de idéias é de alguém que quer algo mais, que quer sair da mesmice”, avalia. O estabelecimento possui um plano corporativo que responde por 40% das vagas. Trata-se de uma parceria com empresas que, contribuindo com um valor mensal, asseguram vagas para os seus funcionários. O objetivo é investir no aprimoramento pessoal e profissional dos colaboradores por meio dos cursos. “As empresas buscam na academia um diferencial competitivo. Hoje não basta o conhecimento técnico. O saber contribui para muitas coisas, como para a formação do senso crítico do indivíduo”, completa.

O empresário enfatiza a importância da Academia de Idéias na ampliação do acesso à cultura. “O conhecimento no Brasil é algo denso. Um bar é mais valorizado que uma peça de teatro, por exemplo. Brasileiro não é de consumir cultura e estamos criando uma demanda que possa adquirir conhecimento com conforto e lazer”, diz. Do futuro, aguarda vislumbrar o negócio além de Belo Horizonte.

Torcedor fanático do Clube Atlético Mineiro, bom amante do futebol, não podia deixar de relacionar a sua visão empreendedora ao esporte. Finaliza a conversa tratando da Copa do Mundo. “O evento é uma oportunidade para o Brasil crescer. A Copa do mundo nos outros países gerou muito dinheiro. A Coréia do Sul, por exemplo, aumentou o PIB em 2,6% depois de 2002. O Brasil tem seis anos para se colocar em destaque se investir certo. Cabe ao governo fazer a parte dele e a sociedade também”, argumenta.