De dentro das muitas Minas ao fundo dos vastos Gerais

Nos céus laranjas
buracos pretos:
um ninho e sua ave
uma ave e sua árvore
os contornos e os seus céus.

 

 

 

Plantas
e quistos verdes afloram periscópio;
secam fins;
amarelam;
sempre libélulas sempre botões.

 

 

 

Mato, tende piedade de nós;
Nuvem, tende piedade de nós;
Azul, tende piedade de nós;
Serra, tende piedade de nós
Que enfiamos uma antena no seu cangote.

 

 

 

Rola moça é chamado o lugar
onde plantas aquáticas ondulam
em seu fundo seco ao vento;
rolam as moças
no fundo do mar.

 

 

 

Língua preta de pedra
dedo de pedra preta
lambe aponta a grota
cheia de sol
de inverno.

 

 

 

Dizem que quem escorrega
na encosta da cachoeira do barão
nunca mais pára
uma Alice só
até o sem-fim de Minas Gerais.

 

 

 

No meio da foto tinha uma paisagem
no meio da paisagem, duas pessoas;
acima e em volta
a boca da gruta
tubarão.

 

 

 

Água
muita água meu velho
aprofundando a vista
da corcova de um boto
corcoveando num sumidouro.

 

 

 

Onça amarela serilinda
do latim a duodécima parte de uma libra
do tupi jaguar em ruído de estalo
yagwatirika
esperando bicho para comer.