Turismo como prioridade

O fato de Minas Gerais já ser o segundo destino turístico do Brasil é comemorado pelo governador Aécio Neves que salienta, nesta entrevista, o vigoroso crescimento do turismo no Estado “em todas as suas expressões como atividade”.

O governador diz ainda que a atividade turística apresenta o melhor custo/benefício entre todas outras do ponto de vista da geração de empregos. Aécio também destaca a captação de novos vôos para Minas como um importante diferencial competitivo para o Estado por atrair novos turistas e incrementar a atividade econômica. O governador ainda fala de assuntos relacionados à preservação do patrimônio histórico e cultural e do meio ambiente, dentre outros temas, como ótimos roteiros de viagem pelas Minas Gerais.



Por Cézar Félix
Fotos Divulgação



Minas Gerais tem registrado, a cada ano, um aumento crescente na recepção de turistas, tanto de brasileiros quanto de estrangeiros. Como o senhor avalia a dinâmica da atividade turística no estado?

Minas já é o segundo principal destino turístico do Brasil, segundo um estudo da Fipe em parceria com a Embratur, (divulgado em 2006). E estamos falando de um país com a diversidade impressionante de destinos que o Brasil oferece, alguns deles divulgados durante décadas, como as praias do Nordeste, as belezas e o carnaval do Rio e de Salvador, as Cataratas no Sul, São Paulo, Fernando de Noronha e, agora, a Amazônia. Demonstra que Minas tem tido sem dúvida importante êxito no setor. O Aeroporto Internacional Tancredo Neves recebeu quase 25 mil estrangeiros nos cinco primeiros meses deste ano. O volume é seis vezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Este resultado é recorde em Minas e mostra a vitalidade operacional do aeroporto como principal portão de entrada de turistas estrangeiros. Temos, desde o início de 2007, por meio do Programa Decola Minas, buscado atrair novos vôos interligando o Estado aos principais centros emissores do turismo nacional e internacional. Desde fevereiro opera o vôo, sem escalas, Minas- Portugal.

Para agosto está prevista a instalação de uma nova rota, ligando Belo Horizonte ao Panamá. E estamos aguardando, para setembro, outros novos vôos a serem implementados ligando Belo Horizonte a dois importantes destinos: Miami e Paris. A captação de novos vôos é um grande diferencial competitivo para o Estado, pois além de trazer novos turistas para Minas, significa o incremento da nossa atividade econômica. Temos reunido aqui um patrimônio cultural de grande diversidade e cada vez mais valorizado no mundo. Em praticamente todas as regiões mineiras encontramos, além das belezas naturais e belíssimo acervo arquitetônico, diferenciais na arte, na gastronomia, nas festas populares e religiosas. O ecoturismo e o turismo de negócios são outros segmentos importantes. Podemos destacar ainda, a tradicional hospitalidade do povo mineiro, que tão bem recebe seus visitantes. Enfim, o turismo em todas as suas expressões como atividade que cresce vigorosamente por todo o Estado.


Na opinião do senhor, Minas Gerais hoje reúne as condições necessárias para atrair grandes investimentos privados especificamente para o setor de turismo?

Minas está pronta para receber os investimentos privados em qualquer setor. E eles têm sido feitos como nunca. Em cinco anos e meio, temos anunciados no Estado R$ 168,6 bilhões em novos investimentos, fortalecendo e dando enorme competitividade à nossa economia e gerando 322 mil empregos. Minas está dando um salto em setores fundamentais. Exportamos e crescemos acima das médias registradas no país durante todos os últimos anos. A atividade turística apresenta o melhor custo/benefício entre todas outras do ponto de vista da geração de empregos. Estamos no Estado, com nosso esforço, agregando infra-estrutura e segurança, ações de preservação ambiental. Estamos garantindo, por exemplo, apoio a novos negócios na maioria das cidades turísticas. Através do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), dando apoio às prefeituras para investimentos em saneamento, educação e qualificação dos profissionais. Fizemos investimentos relevantes na recuperação de estradas e, esperamos, que o governo federal desperte para a necessidade de fazer o mesmo nas rodovias federais. Somos o estado com maior malha viária federal e a situação precária das BRs prejudica em muito a vinda de investimentos e afeta sobremaneira o fluxo turístico, apesar da localização geográfica privilegiada que Minas possui, fazendo fronteira com os maiores centros investidores e emissores do turismo nacional — Rio e São Paulo.


O senhor incluiu o circuito da Estrada Real como uma das prioridades dos chamados “projetos estruturantes” de seu governo. Como o senhor analisa a potencialidade turística deste circuito e como o senhor avalia os resultados alcançados até agora no desenvolvimento da Estrada Real?

A Estrada Real é hoje uma realidade em Minas Gerais, com um fluxo importante de turistas. Trata-se da maior rota turística do Brasil e nenhuma outra oferece tantos atrativos. Em 2006, tivemos 1,5 milhão de turistas. Em 2007, esse número passou para 1,7 milhão e, para este ano, estimamos alcançar 2 milhões de pessoas. No âmbito do programa estruturador, realizamos as ações de apoio a municípios e às pequenas e médias empresas, por meio do BDMG, melhoramos policiamento e os equipamentos de segurança, atuamos na qualificação e capacitação de profissionais, visando o melhor atendimento ao turista.


Existe um projeto para a construção de um museu em Congonhas. O que o senhor pensa sobre a possibilidade da retirada dos profetas do Aleijadinho do adro da Igreja do Bom Jesus do Matozinhos (substituindo-os por réplicas) para abrigá-los no museu?

O projeto do museu é da Unesco com o governo federal. Há alguns anos, a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais desenvolveu, em parceria com o Iepha e com especialistas alemães, uma técnica para preservar os profetas do Santuário, levando em conta a exposição das obras à conformação urbana, à poluição e aos efeitos do tempo e à própria ação dos anos. A transferência de monumentos ao ar livre para museus devidamente climatizados e preparados para tal tem sido feita em todo o mundo, como na Itália, por exemplo, com as obras de Michelangelo. Contudo, essa é discussão que deve ser ampla, envolvendo não apenas especialistas, mas também a comunidade, guardiã natural do nosso patrimônio cultural. É uma situação que afeta, igualmente, o patrimônio de outros estados brasileiros.


Por falar em revitalização do patrimônio histórico, como foi o resposta do povo mineiro em torno da recuperação do Palácio da Liberdade?

A visitação pública ao Palácio da Liberdade tem sido excelente. Nos dois dias de abertura, quase duas mil pessoas visitaram este que talvez seja o mais belo e requintado símbolo da política mineira. Aqui os mineiros respiram história. O palácio sofria de graves problemas adquiridos ao longo dos anos e que comprometeram a cobertura e a estrutura. Goteiras e vazamentos atingiram as pinturas do teto e paredes, madeiras apresentavam corrosões, o piso bastante danificado. Enfim, apesar das intervenções feitas anteriormente, o prédio precisava de uma ampla e completa restauração. Foi o que fizemos por meio da parceria com o Instituto Oi Futuro. O palácio ficou ainda mais bonito depois das obras. Essa talvez tenha sido a mais completa obra de restauração feita no Brasil nos últimos anos porque permitiu o resgate da nossa história na sua plenitude. Toda edificação recuperou sua estrutura original com a descoberta de um pátio interno que estava emparedado. Em uma das reformas feitas no início do século passado, supõem-se que durante as obras realizadas para recepção dos reis da Bélgica, foram construídos banheiros no local. O pátio é belíssimo. Com cobertura de vidro, garante luz natural ao interior do prédio e permitiu nova visão da escadaria do hall de entrada. Todas as pinturas artísticas e afrescos originais foram restaurados, inclusive os das paredes que estavam encobertos por cerca de oito camadas de tinta ao longo dos anos. Portanto, o palácio está aberto à população e totalmente recuperado. Um bom programa para quem ainda não conhece e até para aqueles que não viram essa estrutura original. Costumo dizer sempre que, triste é o povo que não conhece a sua história porque terá maiores dificuldades de construir seu futuro.


E como está a situação do futuro Circuito Cultural Praça da Liberdade?

Muito em breve, os mineiros poderão conhecer este que vai ser o maior complexo cultural do país. Em outubro, devemos inaugurar o Espaço do Conhecimento, que está sendo construído em parceria com a iniciativa privada e da UFMG. Belo Horizonte vai ganhar um planetário e um observatório astronômico, além de laboratórios virtuais, em pleno coração da cidade. O Museu das Minas e do Metal já está com os projetos complementares em conclusão para dar início às obras. Teremos lá o retrato da riqueza mineral do Estado apresentado de forma interativa. Esse museu abrigará importante acervo, incluindo o do Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães, que reúne as mais belas amostras da riqueza do solo de Minas.

Em agosto, começam as obras de restauração e adaptação do prédio da antiga Secretaria de Justiça, que vai abrigar o Centro Cultural Banco do Brasil. Além disso, estamos dando outra destinação para o prédio da antiga Secretaria da Fazenda que, inicialmente abrigaria a Casa da Orquestra. Por uma série de fatores relacionados à adequação do espaço ao novo uso, decidimos instalar ali o Memorial de Minas Gerais. Seu conceito está em fase de construção pela Secretaria de Cultura com uma equipe de consultores de formação interdisciplinar, de alto nível, nos campos da história, filosofia, economia e antropologia. Estamos providenciando projetos de segurança, de trânsito e de iluminação para o entorno da Praça da Liberdade, para propiciar mais conforto aos visitantes do circuito. Muitos outros prédios terão uma nova configuração de uso, o que acreditamos ser a melhor forma de preservação e conservação de nosso patrimônio cultural edificado na capital. Pronto para receber a população já temos o Palácio da Liberdade, que, obviamente, integra o Circuito.


As cidades históricas sempre foram referências como atrativos turísticos de Minas Gerais — e também sempre enfrentaram graves problemas relacionados à preservação do patrimônio histórico, artístico e arquitetônico. Na opinião do senhor, quais são os caminhos que podem levar à solução destes problemas?

Minas detém mais de 60% de todo o patrimônio cultural edificado do país. O primeiro caminho para a preservação de todo este legado é a consciência e a mobilização da comunidade, que é a melhor guardiã de seu patrimônio. É assim no mundo inteiro. A conscientização, por meio de uma efetiva educação patrimonial, além do uso responsável e adequado dos bens, é fundamental. É responsabilidade governamental promover essa educação e assim temos feito por meio das áreas de cultura, turismo e meio ambiente. Tem sido claro o papel do Estado na articulação e execução de programas de conservação e recuperação desse patrimônio. De 2003 até hoje já realizamos 46 projetos e 65 obras de restauração e reformas de monumentos e edificações históricas em Minas. Estudamos adotar um programa mais ambicioso em relação à revisão e instalação de um moderno e efetivo sistema de segurança contra roubo e incêndio. Pelo Fundo Estadual de Cultura, mecanismo de financiamento da Secretaria de Cultura, é priorizada a área do patrimônio cultural, seja material ou imaterial. Minas possui uma política inovadora de prestigiar os municípios que adotam mecanismos efetivos de preservação do seu patrimônio. Trata-se de um incentivo por meio de maior parcela do ICMS para as prefeituras que desenvolvem ações de preservação cultural e ambiental, também conhecida como Lei Robin Hood, em vigor desde 1995 (LEI 12.040/1995, DE 28/12/1995), e onde estão cadastrados cerca de 660 cidades mineiras beneficiadas. Mas, a sociedade organizada, por meios de seus agentes, precisa estar engajada nesse esforço e cobrar também a responsabilidade de seus representantes municipais. Nada se compara aos resultados obtidos nas cidades onde os moradores tomaram para si a defesa e o compromisso com seu patrimônio.


Como um simples turista, qual o roteiro (ou roteiros) que o senhor escolheria para viajar por Minas Gerais?

Impossível escolher um único roteiro. Já fiz vários desde muito jovem e tenho outros tantos para rever e conhecer. Mês passado entregamos as novas instalações do Parque Estadual de Ibitipoca, na Zona da Mata. Fizemos investimentos de R$ 2 milhões na reforma completa de suas instalações e equipamentos para receber turistas. Temos em Minas sete parques abertos à visitação. Apenas nesse governo, desde 2003, foram criadas 22 novas Unidades de Conservação com mais de 500 mil hectares de área. Só em parques, foram criadas 12 novas unidades com 128 mil hectares. Minas conta hoje com 1,4 milhão de hectares de áreas protegidas. Temos nossas queridas Serra do Espinhaço, o belo roteiro pelo Parque Nacional da Serra do Cipó, seguindo até Conceição do Mato Dentro, Serro, Diamantina; as cidades, festas e o artesanato do Vale do Jequitinhonha; a riqueza histórica e artística de Ouro Preto, Mariana, São João Del Rei, Tiradentes, Congonhas; as termas no Circuito das Águas; os hotéis-fazenda que estão cada vez mais equipados no interior do Estado; a Serra da Canastra, o Pico da Bandeira no Parque do Caparaó, a Serra da Mantiqueira, os festivais de música e mostras de cinema. As feiras agropecuárias no Triângulo Mineiro e Belo Horizonte. Temos em Minas 58 circuitos turísticos repletos de atrativos, pela beleza de suas cidades e festas ao longo do ano. Sem falar da extraordinária comida mineira em toda sua variedade e simplicidade, embora cada vez mais sofisticada e admirada no país e no mundo. E, claro, o povo mineiro com seu espírito acolhedor. No Brasil inteiro, somos reconhecidos por nossa hospitalidade.


Recentemente houve uma grande polêmica, inclusive com grande repercussão nacional, sobre o desmatamento na Mata Atlântica em Minas Gerais. Como o senhor vê essa questão?

Interrompemos nos últimos dois anos um processo de desmatamento de Mata Atlântica que vinha acontecendo por décadas no território mineiro e conseguimos reduzir 66% na taxa de desmatamento deste importante bioma. Os dados fazem parte do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, de autoria da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Na taxa geral de desmatamento no Estado, tivemos redução de 30% no período de 2006/2007 em relação a 2004/2005, dados que constam no Mapeamento da Cobertura Vegetal de Minas. O estudo foi elaborado pela Universidade Federal de Lavras, que tem equipe especializada para pesquisas nessa área, e integra o Inventário Florestal de Minas. O mapa indica claramente as áreas de maior pressão sobre a cobertura vegetal e, com base nestas informações, que são inclusive detalhadas por municípios, foi possível dar eficiência à fiscalização executada pelos órgãos ambientais. O governo do Estado está discutindo uma nova legislação mais rígida para os setores que usam florestas nativas envolvendo esses próprios setores nessas discussões. O objetivo é chegar a 2011 sem que nenhum pé de floresta nativa seja utilizada para a produção de carvão. Temos atualmente 1,3 milhão de hectares de florestas plantadas em Minas sem nenhum risco ambiental e sem competição com a agricultura, porque há um planejamento forte nessa área, uma ação vigorosa. Do ponto de vista punitivo, por exemplo, criamos 14 novas companhias de Polícia Florestal e dobramos o número de agentes na fiscalização. Temos ainda o maior programa de recuperação de bacia hidrográfica em andamento no país: o de revitalização do Rio das Velhas em seu trecho metropolitano. Investimos R$ 2 bilhões entre 2003 e 2007 e vamos investir até 2010 outros R$ 3 bilhões.


Governador, os belo-horizontinos podem, de fato, sonhar com as grandes obras previstas para a capital como uma das sedes da Copa de 2014?

Queremos deixar Minas preparada para receber os turistas, delegações, empresários, imprensa e todos os públicos interessados na Copa. Este grande evento é uma verdadeira vitrine internacional para mostrarmos para todo o mundo os nossos atrativos e as belezas de Minas Gerais. A Copa do Mundo, mais do que uma paixão de todos nós, é também um momento de investimentos, um momento de retorno econômico para aquelas cidades que participarem desse evento. Demos um passo muito consistente em relação ao metrô, que vem engatinhando ao longo dos anos. O presidente Lula já aprovou e quer estar em Belo Horizonte para assinar um convênio com o Governo do Estado para lançarmos o projeto de Parceria Público-Privada (PPP) para o metrô de Belo Horizonte, também focando o sistema de transporte da capital para a Copa e, obviamente, para outras demandas da cidade. Transporte será o grande gargalo de muitas cidades que vão pleitear os jogos. Já estamos fazendo tudo no limite dos investimentos necessários para transformar o Mineirão no primeiro estádio brasileiro em condições de sediar um dos grupos. Vamos aproveitar uma vantagem que o estádio tem em relação a outros grandes que é a questão do estacionamento, algo vital para a Fifa, e vamos melhorá-lo. Vamos rebaixar o campo, avançar as cadeiras para mais próximo à linha do campo, estender a arquibancada e a cobertura do estádio, criar um complexo com lojas de produtos e serviços e integrar o complexo Mineirão/Mineirinho. Além disso, o acesso do público ao estádio será facilitado, não só com intervenções no trânsito que será feita pela prefeitura, mas dentro do Mineirão, com a mudança da localização das escadas. Novas cabines e camarotes também serão criados no anel inferior do estádio. Enfim, serão diversas intervenções que, tenho certeza, vão qualificar o Mineirão para receber jogos importantes da Copa de 2014.
 
 

 



"A situação precária das BRs prejudica em muito a vinda de investimentos e afeta sobremaneira o fluxo turístico, apesar da localização geográfica privilegiada que Minas possui."


"Costumo dizer sempre que, triste é o povo que não conhece a sua história porque terá maiores dificuldades de construir seu futuro."


"Minas detém mais de 60% de todo o patrimônio cultural edificado do país. O primeiro caminho para a preservação de todo este legado é a consciência e a mobilização da comunidade, que é a melhor guardiã de seu patrimônio."