As referências da metrópole mineira

Por Cézar Félix
Fotos Eugênio Sávio


O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT-MG), por ocasião do encontro Metrópoles Latino-Americanas e do Caribe (que aconteceu de 3 a 5 de dezembro de 2007), diz, nesta entrevista, que, ao contrário dos países — que têm os seus interesses estratégicos — as grandes cidades do mundo possuem temáticas em comum e necessitam trocar experências periodicamente. Fernando Pimentel fala sobre a potencialidade da capital para desenvolver o turismo de negócios e enumera as obras que serão realizadas para beneficiar diretamente o setor turístico. O prefeito também fala de cultura, discute os problemas enfrentados pela Pampulha e diz que gosta muito de “flanar” por Belo Horizonte.
 

Como surgiu a idéia de promover em Belo Horizonte o Encontro das Cidades Latino-Americanas e do Caribe e como o senhor avalia os resultados do evento?

O Encontro das Cidades Latino-Americanas e Caribenhas surgiu de uma constatação e, ao mesmo tempo, de uma inquietação: Belo Horizonte participa cada vez mais de encontros internacionais de cidades. Tornou-se muito comum que as cidades se organizem em formatos de redes (existem mais de 30), com as relações entre elas estabelecendo temas específicos para além das fronteiras nacionais. Existe, por exemplo, uma rede de cidades interessadas em educação — Belo Horizonte sedia atualmente a secretaria geral de uma organização chamada Associação Internacional das Cidades Educadoras — formadas por mais de 100 cidades de diferentes partes do mundo, dos mais diferentes lugares, que têm interesse em discutir esse tema, que têm vontade em compatilhar novas experiências. Então, estas cidades reúnem-se periodicamente ora aqui ora ali e vão trocando experiências e incrementando as suas relações com grande ganho para o cidadão que mora nestas cidades. Isso porque essas experiências são muito intercambiáveis. Os países normalmente não podem compartilhar grandes temas nacionais, como políticas de câmbio ou comércio internacional, porque os países têm os seus interesses estratégicos. Agora, as cidades não! Normalmente as cidades têm uma temática comum. O que o poder local tem que fazer? Ele tem que cuidar da limpeza pública, tem que cuidar das vias urbanas, da ocupação do espaço urbano, do meio ambiente da cidade. São atribuições das prefeituras e não dos governos nacionais ou regionais. Os prefeitos sempre têm interesses comuns. Essa é a constatação. Agora vem a inquietação: o que nos levou a organizar esse evento? Eu observo nos fóruns de que participamos — e todos eles são muito produtivos — que nenhum deles até agora assumiu um enfoque tipicamente latino-americano. Quando se discute, por exemplo, urbanismo, imediatamente surgem as experiências de Barcelona, famosa em todo mundo, de Madrid ou Londres, cujo grande destaque é a renovação das docas da capital da Inglaterra, transformadas em um novo bairro. É claro que é muito bacana conhecer tudo isso, mas prefeitos latinos-americanos precisam discutir as realidades mais próximas deles. Me interessa muito mais discutir Puerto Madero em Buenos Aires porque a capital argentina é mais parecida conosco em termos de orçamento público, de hábitos e costumes; tem muito mais haver com a nossa realidade, portanto é melhor aprender com Buenos Aires do que com Barcelona ou Londres, metrópoles donas de muito mais recursos, muito mais dinheiro, próximas dos grandes centros financeiros internacionais, portanto, com muito mais capacidades e possibilidades de atrair recursos para os seus projetos. Nós não! Nós temos é que conversar com Bogotá para saber como eles estão resolvendo o problema da violência urbana e conversar com Medellin para saber como eles estão resolvendo os problemas das favelas. Por outro lado, nós recebemos aqui prefeitos das cidades da América Central para mostrar como estamos resolvendo os nossos problemas. Portanto, neste encontro das maiores cidades da América Latina e do Caribe discutimos quatro temas que tem haver com a nossa realidade, interessantes para os prefeitos, mais próximos de nós. Isso não quer dizer que deixamos de convidar alguns prefeitos de cidades importantes dos EUA e da Europa. Mas o foco do encontro foram as cerca de 80 cidades da América Latina e do Caribe que somam mais de 1 milhão de habitantes, além das capitais, inclusive as brasileiras, é claro. O evento foi extremamante interessante: Discutimos segurança pública, a questão do lixo — a destinação final dos resíduos sólidos —, trânsito e transporte — mobilidade urbana — e revitalização de centros históricos. Foi um evento de imenso significado para Belo Horizonte e para todas as cidades participantes. O tempo e a história se encarregarão. de mensurar o quanto foram positivos os resultados das discussões.


Após sediar grandes eventos como este e como a 47ª Reunião de Governadores do BID (Banco Interamericano de Desenvovimento), BH já está pronta para entrar no calendário internacional dos grandes eventos de negócios?

Não. Também não vamos ser tão pretensiosos. Eu acho que BH está começando a entrar no circuito dos grandes eventos. A gente precisa é de firmar mais, persistir neste caminho, é preciso estar presente nas maiores feiras de turismo do mundo e nos fóruns nacionais e internacionais. A Belotur está sempre presente, participando ativamente. Existe um investimento por trás disto, há gastos de recursos, mas é um dinheiro muito bem empregado, vale a pena! A maioria dos belo-horizontinos há de concordar de que hoje somos muito mais conhecidos internacionalmente do que há dez anos. Isso não foi de graça, houve um investimento nesta direção da prefeitura, do governo do estado e do governo federal. Sem dúvida, estamos no caminho certo, o caminho da persistência, da continuidade.


Na opinião do senhor, qual seria o maior diferencial de Belo Horizonte que pode ser considerado como fator decisivo para que a cidade ganhe em competitividade neste mercado de eventos e convenções?

Devemos explorar importantes características de nossa cidade, temas afins à nossa identidade, que nos tornam únicos. Em primeiro lugar, Belo Horizonte é a capital de Minas Gerais, uma espécie de estado síntese do Brasil. Nós somos um estado localizado no coração do país, nós não temos fronteiras internacionais e nem com o mar. Nós temos o privilégio de sermos eternamente brasileiros, pois só temos limites com o Brasil. Se o turista quer conhecer o Brasil, o melhor ponto de partida é por aqui, pois Belo Horizonte está no coração de Minas e no centro do circuito Rio, São Paulo, Brasília. Não é apenas uma questão geográfica, mas também cultural. Aqui todos têm acesso a diferentes culturas regionais do Brasil com facilidade e profundidade. BH tem enorme efervescência e ampla diversidade de culturas, pois assimila influências de praticamente todas as regiões brasileiras.Trata-se de uma questão que nós temos que trabalhar nela permanentemente, é um forte atributo que nos diferencia.


Então o que mais diferencia Belo Horizonte de outros grandes centros seriam os atributos com características imateriais?

Por força da nossa história, nós somos uma cidade que foi planejada, inventada. Nós não existíamos há 110 anos. Somos uma cidade de imigrantes, de gente que veio pra cá pra fazer a capital mineira. Acolhemos gente de outros estados, muita gente veio do interior e muitas pessoas vieram do exterior. Ora, uma cidade que nasceu com esta característica, só tem uma possibilidade que é muito clara na nossa identidade urbana: Belo Horizonte é necessariamente uma cidade hospitaleira, ela recebe muito bem quem vem de fora. Embora já estejamos na quarta ou quinta geração de belo-horizontinos típicos — e eu sou um deles — nós temos na nossa gênese o fato de que todos viemos de fora. Por isso reafirmo: BH é uma cidade hospitaleira por excelência. É o que se vê nas pesquisas: A esmagadora maioria das pessoas considera ter sido muito bem recebida em Belo Horizonte. Eu faço questão absoluta de chamar atenção para esse atributo porque, de fato e de direito, é um patrimônio imaterial de extrema importância. Os outros atributos, os patrimônios materiais, nós podemos construir. Um grande centro de convenções, um aeroporto internacional, uma boa rede hoteleira, um bom transporte coletivo qualquer cidade pode fazer. É evidente que é necessário conseguir recursos, atrair investimentos e tudo mais. Todavia, eu acho que não é nosso papel ressaltar aquilo que qualquer um pode ter ou fazer. Mas ninguém certamente poderá nos ultrapassar em hospitalidade, característica que está em nossa identidade cultural mais profunda. O resto nós vamos trabalhar ardorosamente para construir. Se estiver faltando algo para que possamos ficar mais competitivos, tudo bem, a gente dá um jeito de fazer, vamos atrair capital privado e vamos construir. Não tenho dúvidas: O que fornece identidade profunda à cidade não é o material, o que se enxerga à primeira vista — os edifícios, viadutos, ruas e avenidas — e sim todo esse patrimônio imaterial, fator que nos torna muito mais competitivos.


Pelos atributos materiais e pelos equipamentos que possui hoje, BH tem potencial para desenvolver o turismo de negócios?

Belo Horizonte tem, é claro, enorme potencial para o turismo de negócios. Além do que eu já argumentei, temos excelentes equipamentos, somos uma cidade mais segura do que a média das grandes cidades brasileiras. O homem de negócios, o investidor, o empreendedor têm todas as condições de exercer com qualidade as suas atividades em Belo Horizonte. Simultaneamente, ele pode usufruir das belezas da cidade, de nossos variados atrativos culturais, dos bares, da gastronomia e, é claro, de nossa hospitalidade. Depois, ele pode estender a sua permanência para visitar as cidades históricas e uma enorme gama de atrativos — do ecoturismo ao turismo cultural e religioso — num raio de 100 km nos arredores de BH. São roteiros turísticos — integrado pelos circuitos do ouro, dos diamantes, dos inconfidentes e da Estrada Real — já consagrados mundialmente. Sem dúvida, esses espetaculares atrativos são diferenciais de extrema relevância para BH. Portanto, muito mais do que acreditar no potencial deste filão, nós temos que continuar a investir neste nicho classificado como turismo de negócios — uma grande vocação que está se transformando, cada vez mais, em uma das principais atividades econômicas de Belo Horizonte.


A PBH tem realizado grandes obras como a duplicação da Av. Antonio Carlos e recentemente anunciou a reformulação do Complexo da Lagoinha, além das obras de revitalização do centro. Estas obras também foram pensadas para tornar a cidade mais competitiva no que se refere a turismo de negócios?

São investimentos que estão sendo realizados independentemente da indústria do turismo, mas que, evidentemente, vão beneficiá-la e muito. As obras não param por aí! Nós vamos fazer uma nova rodoviária, temos um projeto de Lei tramitando na câmara de vereadores e eu espero que seja aprovado. A Lei vai autorizar a prefeitura a fazer a concessão à iniciativa privada. Quem ganhar a concessão constrói e explora. Vamos retirar o terminal aqui do centro e levá-lo lá para a Via Expressa com um imenso ganho de qualidade, pois vai ser integrado ao metrô. Esse projeto vai contribuir muito com o nosso projeto de revitalização do centro de Belo Horizonte. Não existe hoje nenhuma grande cidade do mundo que tenha terminais rodoviário ou ferroviário no coração da cidade. A localização mais afastada é o ideal. Além disso, nós temos um projeto em andamento que é a construção de um centro de convenções. O Expominas é um excelente centro de feiras e exposições, o Minascentro é acanhado, portanto, nós queremos um centro de convenções por excelência. Este equipamento é diferente, nós não temos em BH. É preciso que ele tenha um auditório equipadíssimo e diversas salas menores para distribuir reuniões temáticas. Já identificamos um terreno apropriado na região da Av. Cristiano Machado, próximo do Minas Shopping. O decreto de utilidade pública para fins de desapropriação está pronto e o projeto arquitetônico está encomendado. Lá também será em regime de concessão; vamos fazer o edital e quem ganhar vai construir e explorar o centro de convenções. Aliás, eu acho que não é função do poder público ficar explorando este tipo de empreendimento. O mundo mostra que este é um ramo lucrativo para o empreendimento privado. Nós temos muitos empreendimentos nesta direção com o objetivo maior de firmar Belo Horizonte como um porto adequado para atrair cada vez mais grandes eventos de negócios.


O senhor tem afirmado em diferentes declarações à imprensa que o programa Vila Vida é um trabalho de urbanismo nunca antes visto em BH. Em que estágio se encontra a obra?

A Prefeitura, com o programa Vila Viva, que tem o apoio do Governo federal, está transformando a vida dos cerca de 50 mil moradores do Aglomerado da Serra. São investimentos de aproximadamente R$ 173 milhões para essa etapa, por meio do BNDES, que financiou R$ 114 milhões e a Caixa, com R$ 58 milhões, ambos com contrapartida da Prefeitura. Os moradores das vilas Nossa Senhora de Fátima, Marçola, Santana e Cafezal já estão assistindo as mudanças, os resultados já são visíveis. Pavimentamos mais da metade da avenida do Cardoso, no Santa Efigênia, que vai cortar todo o Aglomerado, ligando a avenida Mem de Sá à rua Caraça, na Serra. No total, ela terá 1.600 metros e uma pista com 16 metros de largura. É uma verdadeira revolução, a avenida integra as vilas às outras regiões da cidade e permite o acesso a serviços básicos como transporte coletivo, água tratada, coleta de lixo e esgoto. O projeto tem uma dimensão tão grande que, para se ter uma idéia, cerca de 24 mil metros lineares de becos e ruas do Aglomerado serão pavimentados e em trinta becos, na Vila Nossa Senhora de Fátima – 1ª Água, as obras já estão concluídas ou em fase de finalização. Na região já foram construídas ainda duas barragens de contenção para controlar a vazão das águas de chuvas e evitar enchentes. Entregamos, também, as chaves de 48 apartamentos no Conjunto Habitacional Cardoso, ali no começo da Mem de Sá, nessa que é outra premissa do programa, a garantia de moradia digna. O Vila Viva prevê a construção de cerca de mil unidades habitacionais para aquelas famílias que foram removidas em função das obras ou que viviam em situação de risco geológico. Estão em fase de construção 392 unidades habitacionais. A comunidade terá também espaços de lazer, como a Praça de Esportes, em um terreno de 20 mil metros quadrados cedido pela Fundação Benjamim Guimarães, e cinco parques lineares, todas as intervenções definidas com o envolvimento dos moradores. O Vila Viva já é modelo para várias cidades do país. Eu diria que estamos fazendo lá no Aglomerado da Serra uma verdadeira revolução, um trabalho de urbanização como nunca visto na história da cidade e que já começa a chegar a outros aglomerados, como a Vila Califórnia, onde as obras já começaram, Taquaril, região Leste, e Vila São José, na Noroeste.


A Pampulha é certamente o maior atrativo turístico da nossa capital e um dos maiores patrimônios do Brasil. O que precisa ser feito para resolver definitivamente os graves problemas da Pampulha?

Nós fizemos um enorme investimento para a recuperação e revitalização da Lagoa da Pampulha e de seu entorno. Fizemos as pistas de caminhada, construímos os mirantes, o belíssimo parque ecológico, fizemos um novo vertedouro, pois o antigo representava muitos riscos à segurança. É preciso lembrar que a barragem da Pampulha é de 1936, construída pelo então prefeito Otacílio Negrão de Lima. Depois, quando Juscelino se torna prefeito em 1940, ele encontra ali a barragem e a lagoa e resolve construir o complexo arquitetônico chamando o Niemeyer e o Burle Marx, além dos artistas como o Portinari. O grande problema da lagoa continua sendo a poluição. Juntamente com a Copasa, nós fizemos a primeira estação de tratamento de esgoto, que pega o córrego Sarandi e trata de 70 a 80% dos seus resíduos. Mas nós temos mais quatro ou cinco córregos que não são tratados. A Copasa — e eu acho que a empresa tem razão — não acha adequado construir pequenas estações de tratamento em cada entrada de água da lagoa. É inviável economicamnte. Adequado é fazer a captação dos esgotos de cada um destes córregos e jogá-los nos interceptores que vão para a estação de tratamento do Onça e aí despoluir definitivamente a Lagoa da Pampulha. Mas este é um trabalho que cabe exclusivamente à Copasa e não compete à prefeitura. Aos poucos, esse trabalho está sendo feito. Poderia ser um serviço mais acelerado, mas que está sendo feito, isso está. O dia em que este trabalho terminar, a Lagoa da Pampulha estará totalmente limpa, mas vai demorar algum tempo. Enquanto isso, a prefeitura vai cumprindo a sua obrigação de retirar o lixo e o assoreamento da lagoa. A PBH tem um trabalho permanente de manutenção da Lagoa da Pampulha, e a Copasa vem fazendo também a sua parte. A lagoa não está abandonada! Porém, vamos falar a verdade: A Lagoa da Pampulha ficou muitos anos abandonada, três ou quatro décadas de abandono! Há pelo menos 10 anos a PBH vem investindo muito dinheiro na Pampulha, há muita energia e empenho na revitalização de toda a região. O futuro da Pampulha é voltar a ser um dos mais fantásticos cartões postais do Brasil. Sem nenhum demérito para o restante da cidade, que possui coisas muito importantes, o maior patrimônio internacional de Belo Horizonte é a Pampulha. Nós temos que cuidar muito bem de toda aquela região. Todo investimento que lá for feito é a favor do conjunto da cidade porque vamos estar recuperando um patrimônio que atrai gente de todos os lugares do mundo.


Por falar em recuperação de patrimônio, é difícil lidar com esta questão em Belo Horizonte?

É difícil, é muito difícil. Numa cidade jovem como a nossa é realmente muito complicado identificar o que é um patrimônio histórico. Numa metrópole de 110 anos muitas construções podem ser consideradas históricas. Veja o prédio da Prefeitura de BH: é de 1936. Para a capital, já é um prédio histórico! Uma casa da década de 50, dependendo do estilo arquitetônico, também pra nós já é histórica. Mas aí, o que é natural numa cidade tão jovem, surge o choque com o interesse do morador, do proprietário. Ele pode argumentar que nasceu naquela casa, que ele ainda é jovem e que a casa não tem nada de histórica. É uma grande dificuldade, o que é, repito, natural numa jovem metrópole como a nossa. Do ponto de vista econômico, a preservação do patrimônio histórico não é atraente. Fica muito complicado atrair empreendimentos de porte para esta área. Geralmente, o proprietário tem muito medo de ter a sua casa tombada. Mas a prefeitura está muito empenhada na preservação do patrimônio histórico de Belo Horizonte. Uma das principais funções do poder público é cuidar da memória e da história da cidade. E eu faço isso com muito gosto!


Como o senhor vê a produção cultural em Belo Horizonte?

É uma coisa fantástica, eu fico encantado com o potencial que nós temos. Convivo muito com os jovens músicos, por exemplo. Que bom, fico imaginando o fato de termos uma geração inteira de jovens músicos que não saiu da cidade. Eles estão aqui produzindo música da melhor qualidade e fazendo grande sucesso nacional. O pessoal do pop-rock mineiro é o melhor exemplo: Skank, Pato Fu, J.Quest, Tia Nastácia. Eles moram aqui e querem continuar morando aqui. Eu sou da geração do Clube da Esquina, do Milton, dos irmãos Borges, do Toninho Horta, Beto Guedes e todos eles, em algum momento, tiveram que sair daqui. Hoje não é mais assim e isso é muito bom! Nós temos uma cidade riquíssima do ponto de vista cultural: Nas artes plásticas, nas artes cênicas, no audio-visual, na dança, no teatro e na música. É uma das nossas principais características. Agora, com a estabilidade econômica e com o crescimento sustentável promovido pelo governo do presidente Lula, eu tenho certeza de que o Brasil vai descobrir que é muito maior do que o eixo Rio-São Paulo. As manifestações regionais vão fluir com muito mais consistência. É o caso de nossa produção cultural, a cada dia ganhando mais destaque. Veja a dança, cito como ótimos exemplos os grupos Corpo e 1º Ato, pra ficar só nos mais famosos, que fazem sucesso no Brasil e exterior. São também artistas que moram aqui e daqui não vão precisar sair, a não ser para se apresentar e fazer enorme sucesso nos palcos do Brasil e do mundo. A música instrumental é outra grande referência da cidade; o cinema, de grandes e premiados cinestas com o Helvécio Ratton e outros tão bons quanto ele. Desde os anos 20 temos esta tradição e esta vocação de centro cultural. Só que nos anos 20, a geração de Drummond e Pedro Nava foi embora para o Rio de Janeiro. Depois tivemos outra fantástica geração de literatos como os contemporâneos de Fernando Sabino que também foi embora. Agora não! todos fazem sucesso é aqui mesmo em Belo Horizonte. Isso significa um grandioso futuro para a nossa cidade e para toda Minas Gerais.


O que o senhor mais gosta de fazer em BH?

O leitor vai achar engraçado, mas eu gosto mesmo é de andar pela cidade, de flanar pela cidade. Quem sou em me comparar com os clássicos, mas Walter Benjamin tem textos célebres de como flanar em Paris. Aliás, quem não gostaria de flanar em Paris? Eu gosto imensamente de flanar por Belo Horizonte. Ando pela Savassi, adoro andar no centro da cidade — desde menino frequento o centro —, caminho pela região da Pampulha, que agora dá gosto em andar. A nossa cidade é muito acolhedora neste sentido, apesar de ser topograficamnte acidentada. A cidade deve ser descoberta, os mais interessantes recantos precisam ser frequentados, as nossas áreas verdes — temos mais de 50 parques cercados, cuidados pela prefeitura —, os nossos famosos bares, as vistas panorâmicas como a do alto das Mangabeiras… Belo-horizontinos, a cidade é nossa! Vamos todos flanar por aí!




 



"A maioria dos belo-horizontinos há de concordar de que hoje somos muito mais conhecidos internacionalmente do que há dez anos."


"O Vila Viva já é modelo para várias cidades do país. Eu diria que estamos fazendo lá no Aglomerado da Serra uma verdadeira revolução, um trabalho de urbanização como nunca visto na história da cidade.#


"Eu gosto imensamente de flanar por Belo Horizonte. Ando pela Savassi, adoro andar no centro da cidade — desde menino frequento o centro — e caminho pela região da Pampulha, um trajeto que faço com muito gosto."