Roteiros Turísticos de Minas Gerais
 
Reportagem Pedro Cerqueira
Fotos Henry Yu
 
A atual adotada pela Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais divide o Estado em Circuitos Turísticos, que são agrupamentos dos municípios de uma mesma região que se organizam e desenvolvem suas atividades turísticas. Naturalmente estes municípios devem ter afinidades culturais, sociais e econômicas, o que acaba resultando na consolidação de uma identidade regional. A seguir, a apresentação de alguns destes circuitos com uma sugestão de roteiro.
 

Circuito do Ouro
 
A história desta região começa com o descobrimento do ouro, no final do século XVII. A migração de pessoas deu origem a diversos povoados. O desenvolvimento de alguns destes povoados os elevou à condição de vilas, que hoje são as conhecidas cidades históricas. Nessas vilas foram construídos imponentes sobrados, magníficas igrejas e singelas capelas.

Este circuito também abriga um rico patrimônio natural, com cachoeiras, matas e paisagens serranas. Destaque para o Parque Estadual do Itacolomi e o Parque Natural do Caraça. Este último, além de ser uma preciosa reserva pertencente ao Santuário do Caraça, é também um dos maiores bens culturais do Estado.
 
• Itabirito
Centro histórico e seu rico patrimônio;
Caminhadas ecológicas pelos trechos da Estrada Real;
O pastel de angu é uma das delícias da cidade.

• Ouro Preto
Museus, igrejas e passeio pelas ruas centenárias;
Visitar o Quitutes e Quitandas, situado na casa em que viveu o poeta Alphonsus de Guimarães;
Passeios e atividades no Parque Estadual do Itacolomi

• Distrito de Diogo de Vasconcelos
Visitação a alambiques, fábricas de pedra sabão e ao museu das reduções.

• Mariana
Visita guiada aos principais monumentos como as igrejas de São Pedro, do Carmo e São Francisco de Assis, além do Museu de Arte Sacra;
Visita à Mina da Passagem.

• Congonhas
Visita guiada ao Santuário Bom Jesus de Matosinhos e aos profetas de Aleijadinho.

• Santa Bárbara
Santuário do Caraça.

• Caeté
Serra da Piedade.

• Sabará
Ateliês de palma barroca e delícias de jabuticaba.

• Barão de Cocais
Oficina de artesanato Alma do Ferro.

• Catas Altas
Patrimônio histórico e natural.



Circuito dos Diamantes

A descoberta do primeiro diamante nas lavras de ouro no Arraial do Tijuco (atual Diamantina), por volta de 1719, levou a região a um crescimento vertiginoso, a ponto de ser considerada um Estado dentro de outro Estado. Tanta riqueza gerou um fabuloso patrimônio histórico-cultural que mistura belezas arquitetônicas, artes e passeios ecológicos. O destaque é Diamantina, com seu casario, ruas, igrejas e museus.

Distrito de Diamantina, Biribiri é uma pequena vila colonial que foi praticamente abandonada depois do fechamento de uma fábrica têxtil que ali funcionava, imperdível. O Serro, às margens do Rio Jequitinhonha, é visita obrigatória para quem passa pela região. Os destaques são o seu famoso queijo, a cachaça artesanal, o casario e suas belezas naturais. Nos distritos de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras existem muitas cachoeiras e montanhas.

• Diamantina
Visita guiada acompanhada de música. Em cada local um pequeno espetáculo fazendo das ruas e casario um cenário de trilhas musicais da cidade, conhecendo melhor sua história e suas personalidades;
Visita ao Museu da Seresta;
Passeio pelo Mercado Velho, que encanta com sua arquitetura e a famosa feira cultural;
Visita ao Parque Estadual Biribiri;
Caminhada musical com o Grupo JK em seresta pelas ruas da cidade.

• Serro
Passeio pelo centro da cidade, subindo e descendo ladeiras, visitando igrejas, conhecendo os casarões e as histórias da cidade;
Visita a um alambique de cachaça;
Parada na Fazenda Engenho de Serra, onde se fabrica o tradicional queijo do Serro;
Museu Regional Casa de Otoni;
Projetos sociais da Fundação CRIASER - espaço de cidadania e criação, com degustação de produtos cultivados e produzidos no local.



Trilha dos Inconfidentes

O circuito recebeu este nome porque nesta região nasceram ou residiram 12 dos 27 inconfidentes. Seus municípios guardam parte significativa da história de Minas e do Brasil. A descoberta do ouro, por volta de 1702, mudou os rumos do lugar. De ponto de apoio, o local passou a ser um promissor núcleo de mineração, dando origem à Vila de São João del Rei. A descoberta influenciou toda a região.

A arte colonial mineira deixou uma forte herança presente nas diversas igrejas e capelas ricas em ouro. É o destino ideal para os amantes de belas paisagens, arte e manifestações culturais típicas. O clima da região é muito agradável. No inverno, de maio a setembro, os visitantes são favorecidos pelo aconchego das pousadas e restaurantes.

• São João del Rei
Visita ao centro histórico e à igreja de São Francisco;
Trekking e rapel na Serra do Lenheiro e cavalgadas culturais e pedagógicas.

• Tiradentes
O trajeto pode ser feito de trem a partir de São João del Rei;
Passeio pela cidade: o Chafariz de São José, o artesanato, a Matriz de Santo Antônio;
A cidade é rica em cultura e gastronomia;
Trekking na Serra de São José, cavalgadas, visita aos ateliês dos artistas locais.

• Prados
Atravessar pelo trecho que passa por Bichinho, parada é obrigatória para conhecer o artesanato local e almoçar;
Visita ao rico artesanato local com diversos produtos em madeira, ferro, gesso, barro, algodão e palha.

• Resende Costa
Visita ao centro histórico e às lojas de bordados, tapetes e colchas de teares manuais.

• Lagoa Dourada
Parada para provar os famosos rocamboles.



Circuito das Águas

As fontes das águas medicinais desta região provêm da Serra da Mantiqueira que, preservando boa parte da Mata Atlântica de Minas, privilegia esses municípios com belíssimas paisagens. Estas cidades são o destino ideal para os turistas que desejam cuidar da saúde, livrar-se do stress e relaxar.

Além das águas, do clima agradável e acolhedor, os principais atrativos são os casarões históricos, parques, termas e praças. Vale a pena explorar as delícias da culinária, o artesanato e os recantos que compõem a beleza paisagística dos arredores. Esta região foi o portão de entrada para os bandeirantes no final do século XVIII. Várias destas cidades são remanescentes do Ciclo do Ouro e surgiram como ponto de apoio para bandeiras ou mesmo para as atividades mineradoras.

• São Lourenço
Parque das Águas;
Ilha dos Amores;
Mirante;
Maria Fumaça;
Teleférico.

• Cambuquira
Alto do Cruzeiro, com 1.114 metros de altitude;
Cascata do Congonhal;
Parque das Águas.

• Caxambu
São 12 fontes de água mineral.

• Lambari
Cassino do Lago;
Teleférico junto ao Morro do Cruzeiro;
Lago Guanabara: passeios, caminhadas, pescarias e esportes aquáticos;
Cachoeiras próximas à cidade.

• Baependi
Mais de 50 cachoeiras.



Serras Verdes do Sul de Minas

As cidades desse circuito gozam de localização muito privilegiada, a Serra da Mantiqueira. A altitude média é de 1.200 metros, o que lhes proporciona um inverno frio e um verão muito agradável. A paisagem é cortada por belas cachoeiras cercadas por flora e fauna remanescentes da Mata Atlântica.

A região mantém hábitos de vida bastante interioranos. Estão presentes nesse cotidiano o fogão à lenha, as quitandas, o queijo artesanal, doces, geléias e pães, além dos pratos típicos da apreciada cozinha mineira. Um lugar muito especial é a Vila Monte Verde (em Camanducaia), com sua vegetação, a arquitetura de influência européia e o clima seco e frio.

• De Extrema a Bueno Brandão
Rafting nas corredeiras do Rio Jaguari;
Saída para Bueno Brandão com passagem pelo município de Toledo;
Jantar especial com comida mineira.

• De Bueno Brandão a Cambuí
Tirolesa, cascading, arvorismo e caminhada na Cachoeira do Luis;
Almoço típico das regiões serranas;
No caminho, uma parada em Bom Repouso para contemplação do pôr do sol.

• De Cambuí a Córrego do Bom Jesus
Visita ao artesanato local em Cambuí e à produção de morangos;
Almoço em Córrego do Bom Jesus;
Saída para Monte Verde.

• Monte Verde
Caminhada pela Trilha do Platô, com visual das montanhas da Serra da Mantiqueira;
Trilha do Chapéu do Bispo;
Almoço e visita à Casa dos Beija-Flores.



Circuito Caminhos Gerais

Este nome surgiu porque a região era o local oficial de passagem e entrada do ouro proveniente da Capitania de Minas Gerais para a de São Paulo. Os povoados foram surgindo a partir dos pontos estratégicos de paradas de tropas e de comercialização de produtos para alimentação.

Estas cidades são um refúgio para o sossego e para se apreciar uma boa comida. A biodiversidade estimula o turismo ecológico que tem como regra a preservação. Entre os sabores típicos de Minas Gerais estão o café da tarde, o leite fresco e as compotas com queijo.

Uma das cidades mais famosas deste circuito é Poços de Caldas que, além de suas águas com ação terapêutica, oferece trilhas, pontes e cachoeiras para a prática de esportes. Aliás, em todo o circuito não é difícil encontrar cachoeiras, piscinas naturais e praias de rios.

• Poços de Caldas
Banho nas águas sulfurosas do balneário Thermas Antonio Carlos.

• Poços de Caldas
Visita aos pontos turísticos;
Almoço: comida típica mineira;
Represa Bortolan, com passeio de escuna.

• Poços de Caldas
Passeio de teleférico;
Feira de Artesanato de Poços de Caldas;
Visita a Cristaleria para conhecer a fabricação artesanal das peças em murano.

• Saída para Caldas e Pocinhos do Rio Verde (Vale Verde)
Caminhada pelo balneário de Pocinhos e Serra Branca;
Em caldas, uma parada na loja da Artecaldas: artesanato em palha de Milho;
Visita a fábricas de doce e à Fazenda da EPAMIG;
Café na roça.

• Visita a Andradas
Loja de cerâmica;
Visita à Vinícola Casa Geraldo e à Cooperativa de Artesanato do Bairro do Olio.



Circuito das Grutas

Esta região concentra um expressivo número das grutas encontradas em Minas Gerais. As mais famosas são a Gruta de Maquiné (em Cordisburgo), da Lapinha (em Lagoa Santa) e do Rei do Mato (em Sete Lagoas). O interior destas grutas pode revelar rios, cachoeiras, estalactites e estalagmites, ossadas humanas e de grandes animais extintos, materiais líticos trabalhados com artes ancestrais, raridades de formações calcárias, inscrições rupestres, entre tantas outras surpresas.

Em Cordisburgo, terra de Guimarães Rosa, existe um museu instalado na casa em que o escritor viveu sua infância. O circuito ainda oferece um riquíssimo artesanato, variada gastronomia, diversificadas manifestações culturais e pratos típicos.

• Sete Lagoas
Gruta Rei do Mato e a Serra de Santa Helena.

• Cordisburgo
Gruta de Maquiné;
Casa onde viveu o escritor Guimarães Rosa.

• Matozinhos
Fazenda Jaguara Velha, com suas ruínas e obras de Aleijadinho.

• Pedro Leopoldo
Caminhos da Luz, roteiro que mostra a espiritualidade de Chico Xavier.

• Santana de Pirapama
Cachoeiras dos Inhames e Fechados;
Sítios arqueológicos e lavras de cristal na zona rural do município.



Serra do Cipó

A Serra do Cipó é considerada uma das maiores áreas de biodiversidade do planeta, sendo o seu elevado grau de endemismo outro fator que valoriza a região. A vegetação é extremamente diversa. São mais de 1.600 espécies de flores, além de uma fauna muito vasta. A região abriga a mais extraordinária mostra de campos rupestres do Brasil.

O clima é muito agradável, com verão fresco e estação seca bem definida. A Serra do Cipó é o divisor natural das bacias dos rios São Francisco e Doce. O nome da região é derivado das curvas do Rio Cipó, o mais expressivo da região.

• 1º dia:
Em Santana do Riacho, visita à Cachoeira Grande para um banho nas águas do Rio Cipó. No topo da cachoeira são realizados passeios de caiaque ao longo do rio.

• 2º dia:
Visita à Serra Morena, Cachoeira do Cornélio e Cachoeira da Caverna. A Fazenda Cipó Velho e o caminho dos escravos são antigos locais de tropeiros da época do ouro.

• 3º dia:
Saindo em direção a São José da Serra (em Jaboticatubas), visita à Cachoeira do Bené, que apresenta vários degraus naturais. Os mais aventureiros poderão seguir até a Lapa Negra.

• 4º dia:
Visita ao Parque Nacional da Serra do Cipó;
Caminhada até o magnífico Canyon das Bandeirinhas, para banho nas águas do seu ribeirão.

• 5º dia:
A pequena Lapinha de Santana é uma região que possui uma grande lagoa que tem ao fundo uma belíssima serra;
Trekking até a cachoeira do Lajeado.

• 6º dia:
Trekking até a Cachoeira do Tabuleiro, a maior de Minas, com 273 metros de queda livre. Na parte de baixo um grande poço ladeado por grandes blocos de pedra.



Circuito da Canastra

Estas cidades são conhecidas por produzir delícias como quitandas, queijo, café e leite. O clima na região é ameno, com belas paisagens e tranqüilidade. Os grandes destaques desse circuito são o Complexo do Barreiro (em Araxá), com suas águas minerais, a Gruta dos Palhares (em Sacramento) e os sítios arqueológicos (em Ibiá).

As cidades deste circuito estão localizadas próximas ao Parque Nacional da Serra da Canastra, com várias espécies de animais silvestres e uma exuberante flora característica dos campos rupestres e do Cerrado. O relevo é constituído de chapadões de até 1.496 metros.

• 1º dia:
Visita ao povoado de São João da Serra da Canastra.

• 2º dia:
No Parque da Serra da Canastra, conhecer a nascente do Rio São Francisco e a Cachoeira Casca D’anta;
Safári fotográfico pela estrada principal do parque, observando a fauna e flora do cerrado brasileiro;
Lanche típico, com quitandas mineiras e pão de queijo;
Fim de tarde para fazer um passeio a cavalo, pesca no lago ou apenas admirar a natureza.

• 3º dia:
Visita ao histórico povoado de Desemboque, local onde se deu a guerra dos estados de Minas e Goiás pela região no Triângulo Mineiro;
Cachoeira da Parida, uma exuberante queda no entorno da Serra da Canastra;
Parada na Fazenda do Vicente, que produz o legítimo queijo Canastra;
Em Araxá, conhecer a Estância Hidromineral do Barreiro, onde estão as famosas Thermas de Araxá.



Belo Horizonte

Belo Horizonte foi a primeira cidade planejada do País. De acordo com os planos do engenheiro Aarão Reis a cidade deveria ter 200 mil habitantes no final século XX, mas hoje abriga cerca de 2,3 milhões de pessoas. Considerando a região metropolitana, a população sobe para 4 milhões.

A cidade é cercada pelas montanhas da Serra do Curral, que lhe servem de moldura natural. Entre as visitas obrigatórias estão o Complexo Arquitetônico da Pampulha, a Praça da Liberdade, o Parque das Mangabeiras, os museus, as igrejas, os parques, os centros de compras, os barzinhos e os restaurantes. Uma característica da capital é a intensa produção e programação artístico-cultural, além da boa e diversificada gastronomia e os bares, tradicionais pontos de encontro.

Visita ao complexo da Pampulha;
Final de tarde na Praça do Papa com sua bela vista da cidade;
Visita a museus;
Conferir a programação cultural em teatros, centros de exposição, espaços culturais;
Gastronomia, diversas opções;
Bares, pontos de encontro dos belorizontinos.



Estrada Real

A Estrada Real dos dias de hoje é a reunião de trechos dos caminhos construídos no Brasil–Colônia, principalmente no século XVII, para o transporte das riquezas do interior do Brasil para o litoral, de onde eram levadas para a Europa. Desta forma, estas eram as únicas vias autorizadas de acesso à região do ouro e dos diamantes de Minas Gerais. O interesse era o controle tributário. Esta circulação centralizada deu origem a um intenso processo de urbanização ao longo deste caminho, com o surgimento de arraiais, povoados e vilas.

Formado por 177 municípios (162 em Minas Gerais, oito no Rio de Janeiro e sete em São Paulo), este caminho nos remete às experiências dos bandeirantes, tropeiros, oficiais e outros viajantes naquele período. São diversos os atrativos: construções coloniais, igrejas, museus, reservas ecológicas, esportes de aventura, estações de águas minerais, culinária mineira e muita história.

O circuito que conhecemos hoje é a união de três caminhos surgidos em momentos diferentes: o Caminho Velho, inaugurado pelos bandeirantes, que ligava a capitania de São Paulo às minas de ouro; o Caminho Novo, instituído pelo Coroa Portuguesa, que ligava o Rio de Janeiro à Vila Rica; e o Caminho dos Diamantes, instituído pela Coroa como caminho oficial de Vila Rica ao Distrito Diamantino.



Parqud das Águas de São Lourenço.


Serra da Babilônia, no circito da Canastra.

Turismo de negócios: 4 mil eventos em 2006 em Belo Horizonte.