Planejar para crescer

Por Carolina Godoi
Foto Fernando Grilo

A nova presidente da ABIH-MG — Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, seção Minas Gerais — detalha alguns dos ousados planos da entidade para promover o turismo em Belo Horizonte e no interior de Minas, além de   contar a sua trajetória como empresária da hotelaria.  
 
 
Há apenas quatro anos, a empresária Silvania Capanema mudou completamente de vida. Depois de 25 anos trabalhando como engenheira arquiteta, ela abraçou a hotelaria e o turismo como novos e estimulantes desafios. “Foram mais de 200 projetos de arquitetura e mais de 120 obras. Estava no auge da carreira, porém não mais existia um campo de atuação motivador para mim em Belo Horizonte, e eu sou movida a desafios”, conta a empresária.

Assumiu, então, o Liberty Palace Hotel, que ela mesma projetou e que pertence à família, situado na Savassi, bairro nobre da capital mineira. Para tal, procurou aperfeiçoar-se cursando o MBA em Planejamento Estratégico de Marketing na Fundação Getúlio Vargas. Na prática, passou por todos os setores do hotel, como alimentos e bebidas, hospedagem, eventos, vendas e recepção.
Após dois anos trabalhando no hotel, Silvania fez um planejamento que tem como meta dobrar o faturamento da empresa em três anos. “ A primeira ação foi qualificar os funcionários e fortalecer o endomarketing. Investimos em eventos e adequamos o hotel para o turismo de negócios. Estas mudanças foram necessárias em razão do aumento da concorrência, pois a  entrada das redes de hotéis e dos apart-hotéis em Belo Horizonte forçou a queda do valor médio das diárias na hotelaria da cidade. Para que mantivéssemos o valor das diárias foi preciso agregar valor, elevando a qualidade do serviço prestado ”
 

Planejamento estratégico e novos projetos na ABIH MG
 
O trabalho bem sucedido da empresária a encorajou a assumir a presidência da ABIH-MG em abril deste ano. “Mais um desafio que eu encaro com garra e determinação”. Silvania Capanema defende uma reestruturação “que precisa ser muito bem conduzida” na hotelaria mineira para que, entre outras ações, seja possível captar eventos de grande porte para Belo Horizonte. “Existem hoje cerca de oito mil unidades habitacionais na cidade, ou seja perto de 14000 leitos. É preciso saber quantos hotéis estão capacitados para atender eventos de nível internacional e os que não se enquadram terão incentivo para ser reformados e melhor equipados. Por isso, nosso primeiro projeto para a capital é o “Projeto Quem Somos?” cujo objetivo é ter um real diagnóstico da hotelaria da cidade”, explica. Quantos hotéis estão em pleno funcionamento? Em que condições? Qual o nível de capacitação dos funcionários? Quais os equipamentos disponíveis? Essas são algumas das questões que o projeto vai responder.

Com o propósito de unir a hotelaria em prol do que é de interesse comum, este projeto e outros já em andamento, como o de “Posicionamento de Mercado”, têm o objetivo de elevar a diária média dos hotéis da cidade, que ainda está defasada em relação às grandes capitais brasileiras.  Deve também aumentar a ocupação dos hotéis através de ações de incentivo ao turismo, “antes que venham novos concorrentes, o que certamente, acarretará uma nova crise na hotelaria. Temos muitos hotéis na cidade que estão fechados ou inacabados, não precisamos de novos empreendimentos e sim, aproveitar e revigorar o que já existe”.

Para esta reestruturação, a capital foi dividida em cinco regiões (Savassi, Lourdes, Centro, Sul e Noroeste), além de formadas comissões para agilizar um diagnóstico preciso e atualizado dos problemas. A partir das demandas detectadas, serão priorizadas as ações que atenderem à maioria.  
 

Projetos em Parceria
 
Feito o diagnóstico, entra em cena, entre outros, o Projeto Capacitur (Projeto Permanente de Capacitação do Turismo), desenvolvido pela Belotur. Excelência no atendimento aos turistas, informações turísticas com orientação correta, preservação do meio ambiente e noções de inglês ou espanhol são os principais temas abordados no Projeto Capacitur. “Tudo para que o visitante sinta-se bem recebido e indique a cidade para outros amigos”. Outra boa notícia é um convênio com a Caixa Econômica Federal que vai disponibilizar linhas de financiamento a juros baixos para que os hotéis do centro da cidade reformem seus prédios e comprem novos equipamentos.
 

Destaque para o interior mineiro  
 
O projeto mais audacioso da ABIH-MG é voltado para o interior de Minas e conta com o apoio da Secretaria Estadual de Turismo, das Secretarias Municipais de Turismo e da Federação dos Convention and Visitors Bureau. Com o nome de “Salão de Turismo e Hotelaria -  TURHOTEL”, este evento pretende visitar dez regiões de Minas, ao ritmo de cinco eventos ao ano. Aos hoteleiros dos principais pólos de turismo do estado, serão levados Ciclos de Palestras, Rodadas de Negócios e Oficinas Experimentais, que terão como apoiadores principais, o Senac e o Sebrae. “As palestras tem como função levar ao gestor hoteleiro informações sobre capacitação, qualificação, certificação e classificação de hotéis e pousadas. Serão também abordados assuntos de interesse do grupo local, que pode ser sobre marketing e vendas ou sobre redução de custos” explica Silvania.

Nas Rodadas de Negócios, os hoteleiros terão a oportunidade de ter contato direto tanto com o segmento de escolas e cursos como o de linhas de financiamento, em parceria com a Caixa e o Banco do Brasil. Estarão presentes, para um contato de venda direta e abertura de um canal de cooperativa de compras por meio das regionais da ABIH MG,  os  fabricantes e distribuidores de bens e de produtos necessários ao bom funcionamento dos hotéis. Esta ação vai proporcionar ao empresário do setor hoteleiro facilidade de compra e  redução de custos.

O TURHOTEL ainda  conta com uma parte prática. Serão as oficinas de técnicas em alimentos ministradas pelo Sesc e por outro importante parceiro do projeto, a Vilma Alimentos.

Silvania Capanema quer também produzir para cada TURHOTEL uma edição da revista da ABIH-MG, mostrando a economia e o turismo de cada região.

O 1º TURHOTEL acontece na segunda quinzena de agosto em Belo Horizonte e as cidades escolhidas para este ano são Caxambu, no Circuito das Águas e Uberlândia, no Triângulo Mineiro.   
 

Portal de negócios pela Internet
 
Para que este e outros projetos tenham sustentação e continuidade durante todo o ano, a entidade está formando o seu Portal de Negócios no site www.abihmg.com.br.  Além de informativos sobre a ABIH, hotelaria e turismo, pode-se fazer visitas virtuais e reservas nos hotéis associados, comprar tudo o que se necessita para um hotel diretamente dos principais fornecedores do país e ainda ter assessoria jurídica e empresarial no que diz respeito ao setor .  Este  site e outras ações fazem parte da rede de benefícios que a entidade quer oferecer aos seus associados. Numa iniciativa inédita no país, a partir de agora, a entidade passa a abrigar toda a cadeia produtiva do setor, ou seja, além dos hotéis e pousadas, os parceiros comerciais, que são os fornecedores de bens e insumos e os prestadores de serviço para a hotelaria.
 

Atrativos diferenciais
 
“Belo Horizonte está entre as 60 melhores cidades do mundo. É uma cidade bonita, segura, hospitaleira, e conta no seu entorno  com muitos atrativos incríveis e disponíveis, a um pulo do Aeroporto Internacional de Confins, fora a riqueza e a diversidade ecológica e cultural de Minas”. Assim Silvania, avaliando a potencialidade turística da cidade e do estado,  justifica o motivo de tanto cuidado e empenho no planejamento das ações da entidade.  

“O futuro do turismo mineiro pode ser grandioso, se bem planejado e conduzido”, diz ela. “O turista de negócios fica pouco tempo na capital e não conhece o interior. O turista internacional demora-se dois dias em Minas. É esse mercado o primeiro mercado  que temos que conquistar”.

A empresária lembra que Minas Gerais é riquíssima em tradição, cultura, arte, música e gastronomia. Atrativos que estão conquistando estrangeiros, principalmente os europeus, que sempre voltam a visitar o Estado. “Nesse mundo globalizado, o que se vende hoje é a diversidade natural e cultural — e isso Minas tem de sobra”.