As muitas Minas e a vastidão dos Gerais (Parte 2)

Texto Andréa Rocha
Fotos Henry Yu


_Folclore e Festas Populares



As mais belas formas de expressão

As manifestações folclóricas, que representam a cultura típica de um povo em determinada região, encontram em Minas solo fértil para as suas mais variadas formas de expressão.

De origem anglo-saxônica, o termo folclore é uma derivação da palavra folk, no sentido de habitante, e lore, conferindo sabedoria. É a expressão do modo de vida de uma comunidade, seus hábitos, comportamentos, vivências e valores, que permanecem vivos por várias gerações. As manifestações folclóricas não têm autoria — são criadas individualmente ou em grupo e transmitidas para as comunidades, visando ao seu bem estar.

São vários os tipos mais expressivos de manifestação folclórica, sendo considerados, para efeito de turismo, a culinária, o artesanato e a arte popular, a dança e a música típicas, os folguedos, os brinquedos e brincadeiras, as lendas e as festas com manifestações folclóricas, religiosas e profanas.

Desde a mais remota antiguidade, o canto e a dança são elementos de linguagem comuns entre os povos, integrando rituais religiosos e profanos ligados à vida e à morte. Esses rituais, comuns em várias partes do mundo, se manifestam vigorosamente em Minas Gerais, lugar onde se misturam o sagrado e o profano, os valores portugueses e africanos, os ritmos e movimentos de cada um.

Uma dessas expressões, bastante difundidas no Estado, é a Congada. As festas de coroação de reis congos são celebradas em diversos estados do país, especialmente aqueles onde havia grande contingente de trabalhadores escravos e controle da coroa portuguesa. Há variações dessa manifestação folclórica. Algumas delas trazem os participantes com fardas, chapéus, bastões e guizos.

Em Minas, as festas de coração de reis e de lutas entre bem e o mal ganham praticamente todo Estado, sem uma data fixa para a sua celebração. De forma geral, é realizada no ciclo da santa de maior devoção entre os negros, Nossa Senhora do Rosário, entre os meses de agosto, setembro e outubro. É um ritual sagrado, ao qual se associa o profano, conferindo à manifestação grande colorido e diversidade.

Como os hábitos e costumes de um povo evoluem no tempo e no espaço, podem ser transculturados, ou seja, podem migrar para outras regiões através de pessoas que deixam a sua comunidade levando a sua tradição cultural. Por esta razão, as várias irmandades de Nossa Senhora do Rosário, com suas guardas de congado, podem ser encontradas em diversas regiões de Minas e em diferentes bairros da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como os Arturos, em Contagem.

Os Arturos formam uma comunidade remanescente de quilombo, localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O grupo, cuja formação começou no século dezenove, é um dos mais importantes símbolos da resistência negra no Estado.

Os membros do grupo cultuam a ancestralidade, preservando os rituais herdados dos escravos, especialmente o culto à Nossa Senhora do Rosário. A história dos Arturos começa com Arthur Camilo Silvério, filho de pais escravos, que nasceu por volta de 1855 e morreu aos 101 anos. Daí o nome de seus descendentes, a família dos Arturos.


Cavalhada

A Cavalhada é um folguedo (brincadeira) popular muito comum nas festas do Divino promovidas nos vales dos rios Jequitinhonha e São Francisco. Inspiradas nas antigas lutas entre cristãos e mouros, também são muito concorridas em Morro Vermelho (município de Caeté) e em Mateus Leme.

Este folguedo, que chegou ao Brasil trazido pelos colonizadores portugueses, apresenta uma animada disputa entre 12 homens vestidos de vermelho (que representam os mouros) e 12 vestidos de azul (os cristãos). Os cavaleiros usam lanças, chapéus e lenços e desfilam com toda pompa até o local onde será a partida. Nessa luta, um mastro é colocado no meio dos cavaleiros com argolas penduradas. Os cavaleiros saem em disparada tentando retirar a argola com suas lanças. Também costumam acompanhar o evento um baile de cavaleiros, espetáculos de luzes e danças.


Festas religiosas

Os belos templos religiosos presentes nas cidades históricas de Minas dão bem a dimensão da importância e da influência da igreja católica no Estado, sabidamente uma imposição da Coroa Portuguesa em tempos de colonização.

Desde aqueles tempos, Minas se acostumou a celebrar e a render honras aos seus santos de devoção. Vários municípios mineiros surgiram com o aparecimento de uma santa ou santo. Ou a partir de uma capela erigida em homenagem ou agradecimento. Assim, de história em história, forjou-se uma cultura religiosa ímpar, que se manifesta através de grandes festas, especialmente a Semana Santa.

As comemorações da Semana Santa em Minas Gerais são verdadeiras devoções, com imagens e passagens magistralmente adornadas pelos fiéis. Cidades como Carmo do Cajuru, Mariana, Diamantina, Congonhas, São João del Rei e Corinto realizam procissões e cerimônias litúrgicas tradicionais, memoráveis, compostas por música barroca e manifestações populares de origens remotas.

“Ouro Preto adquire, na Semana Santa, o mesmo ar de sonho, um sossego sobre-humano, ao mesmo tempo humilde e grandioso, dentro do qual se pode, na verdade, pensar em Deus”, poetizava Cecília Meireles. As celebrações da Semana Santa, em Ouro Preto são, como bem descreveu a poeta, um momento de forte devoção para os fiéis - ou de respeito e introspecção até para os mais céticos e incrédulos.

Cada momento é preparado caprichosamente, fruto de uma tradição de pelo menos dois séculos de história. As celebrações começam logo após o carnaval, na quarta-feira de cinzas, com o início da Quaresma, das via-sacras e do Setenário das Dores. Nesta época, percebe-se sutil mudança nos hábitos de alguns moradores da cidade. Muitos deles ainda adotam a abstinência e o recolhimento.

Duas antigas paróquias se revezam na organização da Semana Santa da cidade, resquício de tempos em que Ouro Preto era separada por todo o tipo de diferenças, de cor, condição social, cultural e irmandades. A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, com uma procissão ao som das bandas Sociedade Musical Senhor Bom Jesus das Flores e Sociedade Musical Senhor Bom Jesus de Matozinhos. Na quarta-feira santa é realizado o Solene Ofício das Trevas, celebrado em latim e à luz de velas. Na quinta-feira, os altares são cobertos e é feita a cerimônia do lava-pés.

A sexta-feira da Paixão tem como ponto máximo a cerimônia em que Jesus é retirado da cruz, em frente a igreja de São Francisco de Assis. Em seguida começa a Procissão do Enterro. Na madrugada de sábado para o Domingo de Páscoa, a cidade volta a se alegrar. Moradores vão às ruas para adorná-las, cuidadosamente, com pétalas de flores e serragens, enquanto grupos de serestas animam o ambiente. Na manhã do Domingo, os fiéis percorrem as ruas da cidade para celebrar a ressurreição de Cristo.



_Natureza exuberante

“Minas não é palavra montanhosa. É palavra abissal. Minas é dentro e fundo”. Poucas palavras de Carlos Drummond de Andrade para ilustrar o encantamento e a profundidade de Minas Gerais. Seja por sua formação geológica, seja pela influência de sua natureza na cultura das diversas composições sociais que ainda se mantém vivas no Estado.

Com uma área total de 588.384 km2, correspondente a 7% do território nacional e 63% do Sudeste brasileiro, Minas possui um relevo acidentado, em que se destacam as Serras da Mantiqueira e do Espinhaço. Além da diversidade da fauna e flora, reúne parte significativa das bacias dos rios São Francisco, Grande, Doce, Jequitinhonha e Paraíba.

A diversidade de seu relevo, os recursos hídricos, as condições climáticas e as características do solo garantem à Minas uma rica cobertura vegetal, que pode ser dividida em três biomas, além de outros ecossistemas integrados. O cerrado, que cobre a maior parte do Estado (60%), a Mata Atlântica (32%) e a Caatinga (8%).

Um exemplo dessa exuberância da natureza em Minas, que serviu de inspiração para outro grande escritor mineiro, Guimarães Rosa, em obras de dimensões universais, como Grande Sertão Veredas, é a Cordilheira do Espinhaço, considerada pela Unesco, em junho de 2005, como Reserva da Biosfera.

O reconhecimento faz jus à riqueza do conjunto de serras que vai da Serra do Cipó, em Minas Gerais, até a Chapada Diamantina, na Bahia. Em toda a sua extensão, de quase 1 mil quilômetros, reúne os três grandes biomas - a mata atlântica, o cerrado e a caatinga, o que faz desse monumento um guardião natural de rios, fauna e flora brasileiras.

A porção mineira começa, pelo Sul, pelas serras de Ouro Preto e Ouro Branco, alcançando também as serras do Caraça, Catas Altas e Barão de Cocais, nas proximidades do município de Santa Bárbara. Ainda em Minas, a Cordilheira do Espinhaço é formada também pelas serras do Cipó e Piedade, próximas à Belo Horizonte; a Serra do Cabral, na região do São Francisco, indo em direção ao Norte, nas cercanias de Diamantina e Serro, além de Itambé, no Alto Jequitinhonha.

O título de Reserva da Biosfera, conferido pela Unesco, indica a necessidade de proteção de determinadas regiões do planeta que são únicas em termos de biodiversidade, demandando, por esta razão, medidas de conservação. Ao longo de 2006 organizações não-governamentais dedicaram-se ao estudo e ao desenvolvimento de projetos como o Espinhaço Vivo, conduzido pelo Instituto Biotrópicos e Fundação Biodiversitas, com o apoio da Conservação Internacional (CI-Brasil). Trata-se do primeiro investimento na área após o reconhecimento da porção mineira como Reserva da Biosfera.



_Cerrado e Mata Atlântica


Veredas da biodiversidade

No Brasil, o cerrado ocupa uma área de 2 milhões de quilômetros quadrados, predominantemente no Planalto Central. Representa 22% do território nacional, abrangendo os estados da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia, São Paulo e Tocantins. No entanto, desde 1960, a riqueza do cerrado está sendo ameaçada em várias regiões do país, inclusive em Minas Gerais.

Em Minas, o Cerrado se manifesta em 60% de sua cobertura vegetal. Recobre parte do Triângulo Mineiro e praticamente toda a área que se estende do centro ao Noroeste do Estado. Trata-se de um bioma com uma flora altamente rica, no qual há predominância de espécies lenhosas de várias famílias como o pequi, o murici, o jatobá, as sucupiras, os ipês, entre tantos outros belos exemplares da natureza.

O bioma se manifesta no Estado em todas as suas fisionomias, como campo limpo, campo sujo, campo cerrado,cerrado propriamente dito, cerradaão, além das inclusões de mata ciliar, mata seca, veredas e campos rupestres. No Norte e nas veredas do Noroeste, é chamado de Sertão por boa parte do povo nativo.

Dos tipos de vegetação características do bioma, o cerrado é o que apresenta paisagem com árvores tortuosas, de cascas grossas. Áreas do cerrado podem ser encontradas em algumas partes das zonas do Alto e Médio Jequitinhonha, ao sul de Montes Claros, em quase toda a parte do Alto e Médio São Francisco; em parte dos Campos das Vertentes, parte da região Metalúrgica, em quase toda a área de Paracatu, e em áreas esparsas do Triângulo e Alto Paranaíba. Em sua composição florística podem ser encontrados exemplares de pau-terra-da-folha-larga, pequi, carvoeiro, barbatimão, gomeiro, muricis, bacuparis, faveiro, lixeira, jacarandá-do-cerrado, jatobá, ipês amarelos, cangerana, entre tantas outras.

Já os campos rupestres são formações herbáceo-arbustivas que desenvolvem-se em atitudes acima de 900 metros do nível do mar, em solos rasos, rochosos, pedregosos ou arenosos. Eis uma das razões atribuídas à diversidade da flora associada à esse ecossistema. São espécies de rara beleza e que são encontradas somente nessas regiões. É o caso da Serra do Cipó, onde se concentra grande número de espécies endêmicas da flora brasileira. Entre esses exemplares, merece destaque as sempre-vivas. Nada menos que 68% dessas espécies são encontradas nessa região, merecendo, portanto, a atenção de instituições ambientais e órgãos públicos.

Nas veredas ou Buritizais, áreas úmidas de nascentes, o ambiente é dominado pelos buritis. É uma palmeira preciosa, de grande beleza e importância para o cerrado, pois seus frutos são a base da alimentação de muitos animais, principalmente aves e roedores. O buriti é usado no preparo de alimentos, para produção de artesanatos e em construções rurais. Assim como as matas de galeria e as matas ciliares, as veredas são áreas de proteção permanente, protegida por legislação federal.

Entre as espécies que compõem as diversas formas de manifestação do cerrado em Minas, destaca-se o pequi, muito encontrado na região Norte. Seus frutos produzem um aroma peculiar e são utilizados na culinária regional. De grande esplendor são os ipês-amarelos, que ficam cobertos de flores na estação seca, entre agosto e setembro. Árvore ornamental, tem sido usada na arborização de ruas e praças, inclusive em Belo Horizonte, onde se vê um espetáculo de rara beleza na passagem do inverno para a primavera. São do cerrado flores exóticas e plantas medicinais como a arnica, catuaba, jurubeba, sucupira e angico.

Segundo a Conservação Internacional (CI-Brasil), dois dos 25 hotspots (áreas mais ricas e ameaçadas do planeta) estão em Minas: a Mata Atlântica e o Cerrado. São biomas de grande importância e riqueza, comparáveis à bacia Amazônica.


Mata Atlântica

No Brasil, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, a Mata Atlântica está distribuída em 17 estados, onde vivem 112 milhões de brasileiros e onde se concentram as maiores cidades e os principais complexos industriais do país. Está presente tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Hoje, restam apenas 7,2% de sua cobertura vegetal original e 50% das florestas remanescentes estão nas mãos de proprietários privados.

A Mata Atlântica engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as características climáticas de cada região. Em Minas, a Mata Atlântica é formada pelos campos de altitude, a mata das montanhas, a mata mais baixa, a mata do cipó (transição com a caatinga), a mata seca (entre a caatinga e o cerrado), além das lagoas naturais da bacia do Rio Doce.


Animais do cerrado

Ainda há poucos estudos científicos sobre a fauna do cerrado mineiro– mais um motivo para se preservar o que se desconhece, mas há evidências de vários gêneros de sapos, rãs e pererecas na serra do Cipó. Há alguns animais que, pela ocorrência, podem ser considerados típicos do bioma, inclusive em Minas Gerais.

Entre esses animais estão jibóias, cascavel, várias espécies de jararaca, do lagarto teiú. Entre as aves, estão a ema, a seriema, o joão-de-barro, anu-preto, espécies de urubu, araras, tucanos, papagaios e gaviões. Entre os mamíferos estão tatus, tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, veado campeiro, cachorro-do-mato e o lobo-guará, que tem grande simbologia para o sertanejo do cerrado.


Diversidade de espécies

A ocorrência do cerrado, da mata atlântica e da caatinga no território mineiro, repleto de rios, lagos e lagoas, contribuem para a diversidade de fauna e flora em Minas Gerais. Das 3 mil espécies brasileiras de peixes, 380 ocorrem em Minas (12,5%). Nos campos rupestres da Serra do Espinhaço estão 46,5% das 1.678 espécies de aves brasileiras. Várias delas são endêmicas, ou seja, desenvolvem-se apenas na região, como o joão-cipó. Mamíferos não-aquáticos também encontram na natureza de Minas condições adequadas ao seu desenvolvimento. Nada menos 190 estão no Estado, o que corresponde a 40% das espécies brasileiras.

Minas reúne 180 espécies de répteis como serpentes, lagartos e jacarés. Destas, 120 espécies de serpentes, que correspondem a quase metade das catalogadas no país. Também estão no Estado um terço das 200 espécies de anfíbios, sendo vários endêmicos como sapos, rãs e pererecas presentes na Mata Atlântica e nas serras do Cipó e da Canastra.



_Grutas, lapas e cavernas


Espetaculares formações rochosas

Por sua formação geológica, de grande extensão calcária, Minas Gerais é um dos estados brasileiros mais ricos em grutas, lapas e cavernas. Das 4.030 catalogadas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), nada menos que 1.633 estão concentradas em Minas Gerais. Estados vizinhos como São Paulo, Goiás e Bahia também registram grandes incidências dessa formação geológica.

Estão em Minas as três maiores grutas do país, em profundidade: a do Centenário, em Mariana, com 481 metros de altura; a da Bocaina, na região de Mariana / Catas Altas, com 404 metros; e a Gruta Alaouf, também em Mariana, com 294 metros de queda.

No município de Cordisburgo destaca-se uma das mais famosas grutas de Minas Gerais, a gruta de Maquiné. Localizada a menos de 100 quilômetros de distância de Belo Horizonte, na região central do Estado, foi a primeira gruta iluminada do Brasil. A gruta tem cerca de 650 metros de galerias e salões. Estão abertos à visitação os salões do Vestíbulo, das Colunas, do Trono, do Carneiro, dos Lagos, das Fadas e o Salão Dr. Lund.

No noroeste de Minas, à margem esquerda do Rio São Francisco, no canyon rasgado pelo rio Peruaçu, se encontra o mais espetacular conjunto de cavernas e sítios arqueológicos do Brasil. O Vale do Peruaçu é uma sucessão de arcos, torres, pontes naturais, paredões e centenas de cavernas.

Mais perto dos centros urbanos, a 70 quilômetros de Belo Horizonte, em Sete Lagoas, está a gruta Rei do Mato. A gruta possui quatro salões e uma extensão de 220 metros,com as belezas típicas desse ambiente como estalagmites, estalactites e cascatas de pedras calcárias.

A inesperada beleza e a aura de mistério que envolvem essas formações rochosas atraem cada vez mais a atenção dos turistas. Atenta a este crescente interesse, a Secretaria de Estado do Turismo de Minas Gerais oficializou recentemente o Circuito das Grutas, composto por 14 municípios mineiros.

Integram o Circuito das Grutas os municípios de Caetanópolis, Capim Branco, Confins, Cordisburgo, Funilândia, Inhauma, Jequitibá, Lagoa Santa, Matozinhos, Paraopeba, Pedro Leopoldo, Prudente de Morais, Santana de Pirapama e Sete Lagoas.



_Rios e lagos


Benção das águas

Minas Gerais possui um dos mais importantes e estratégicos sistemas de bacias hidrográficas do Brasil, além da Amazônia. As principais bacias da rede hidrográfica do Estado são as do São Francisco, rio Doce, Jequitinhonha, Grande, Paranaíba e Paraíba do Sul.


São Francisco

O rio São Francisco ou o Velho Chico, como é carinhosamente chamado em Minas Gerais, nasce em São Roque de Minas, na Serra da Canastra. Tem aproximadamente 2.700 km de extensão, escoando no sentido sul-norte pela Bahia e Pernambuco. Nesse ponto, altera seu curso para sudeste, chegando ao Oceano Atlântico na divisa entre Alagoas e Sergipe. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, entre rios, riachos, ribeirões, córregos e veredas, são ao todo 168 afluentes, dos quais 99 são perenes e 69 são intermitentes.

A região hidrográfica do São Francisco abrange sete unidades da federação: Minas Gerais (36,8% da área da bacia), Distrito Federal (0,2%), Goiás (0,5%), Bahia (48,2%), Pernambuco (10,9%), Alagoas (2,3%), Sergipe (1,1%). Devido a sua constituição geográfica longitudinal, contempla fragmentos de diversos biomas. O Cerrado cobre praticamente metade da área da bacia – de Minas Gerais ao oeste e sul da Bahia – enquanto a Caatinga predomina no nordeste da Bahia, onde as condições climáticas são mais severas.

Nesse longo percurso, equivalente à distância entre Brasília, no Distrito Federal, e Chuí, no Rio Grande do Sul, o rio tem sido determinante na vida de muitos povoados e comunidades. Nos cinco estados brasileiros banhados por suas águas, o São Francisco adquire a dimensão do sagrado. O rio-mar é, ao mesmo tempo, fonte de sobrevivência material e alimento espiritual, povoando o imaginário popular e gerando ricas manifestações artísticas, religiosas e culturais.

O caminho do rio pelas terras mineiras, que começa no município de São Roque de Minas, no Parque Nacional do Caraça, segue seu curso com muitas cachoeiras pelo caminho, passa pela barragem de Três Marias, prossegue mais adiante, em direção à Pirapora e Januária, até chegar ao Vale do Peruaçu, onde estão registros da presença do homem na região, há cerca de 11 mil anos.

Nesse percurso, a 260 km de Belo Horizonte, merece destaque o enorme lago, de 1.260 km2 e 21 bilhões de metros cúbicos de água, formado pela Represa de Três Marias. Além de ser fornecedora de energia e reguladora do curso do rio, a barragem é também local de turismo e lazer, coberto por áreas de camping, clubes, hotéis, restaurantes e sítios ocupados, em sua maioria, por apreciadores da pesca.


Pirapora

Localizada na margem direita do Alto Médio São Francisco, Pirapora tem uma bela praia de rio, que atrai turistas da região. A cidade também é conhecida pelas carrancas artesanais, que serviam para espantar mau olhado e garantir boa pescaria.


Rio Jequitinhonha

Assim como o São Francisco, o rio Jequitinhonha tem grande importância para as comunidades ribeirinhas e para a economia local. Suas cabeceiras nascem na Serra do Espinhaço, atravessa o Nordeste de Minas e deságua no Atlântico, em território baiano. Entre seus principais afluentes está o rio Araçuaí. O Jequitinhonha atravessa áreas com período seco prolongado. Em épocas de estiagem, diversos afluentes chegam a secar.

O Vale do Jequitinhonha, banhado pelo rio, é muito conhecido por suas pedras preciosas como diamantes, turmalinas e águas marinhas. Entre as maiores riquezas de uma região está o artesanato regional, confeccionado principalmente por peças de barro, couro, algodão, fibras e madeira.


Rio Grande

O Rio Grande, com uma extensão de 1.400 quilômetros, nasce na Serra da Mantiqueira, no município de Bocaina de Minas, a uma altitude próxima de 2.000 metros. Está neste rio o Lago de Furnas. São 240 quilômetros de braço do Rio Grande e 170 km de braço do Rio Sapucaí, numa superfície de 1.200 quilômetros quadrados. É uma região de grande beleza paisagística, repleta de cascatas e piscinas naturais, além de diques, marinas e belvederes. Vários municípios da região do lago contam com infra-estrutura turística como hotéis, clubes, sítios, casas de campo e pequenas praias.