No topo da Nova Zelândia

Dois mineiros foram os primeiros brasileiros que chegaram ao cume do Monte Aspiring (3030 m. de altitude), localizado na Ilha Sul da Nova Zelândia. Eles escalaram pela via Noroeste.

Por Patrícia Castro
Fotos Marcelo André


Menino criado na fazenda, Marcelo Andrê cresceu aprendendo a gostar da natureza. O gosto pela aventura veio com o tempo. Das duas paixões fez um ofício: hoje ele é fotógrafo de natureza e dirige uma empresa de ecoturismo e turismo de aventuras em Belo Horizonte. O empreendimento, que tem 11 anos, é um dos mais antigos de Minas Gerais.

Com a recente conquista do mercado internacional, o empresário embarcou para a Nova Zelândia em agosto do ano passado. A idéia era aprender inglês e participar de cursos sobre operações em ecoturismo e turismo de aventura. E o destino ainda lhe reservou uma proeza: junto com o veterinário e amigo Eduardo Machado, os dois foram os primeiros brasileiros que chegaram ao cume do Monte Aspiring, na Ilha Sul da Nova Zelândia, pela via Noroeste. A 3 030 metros, o verde e amarelo da bandeira brasileira coloriu a paisagem branca coberta de gelo.


Caminho mais longo

Em março deste ano, a dupla iniciou a escalada de uma altura de cerca de 300 metros. “Ir pela via Noroeste é percorrer o caminho mais longo. A caminhada começa de onde se deixa o carro, do ponto em que a estrada termina. A maioria das pessoas vai até o acampamento base de helicóptero para de lá começar a escalada”, explica. Do jeitinho dos brasileiros, é preciso enfrentar três dias de caminhada até o acampamento base, um abrigo localizado a cerca de 1 900 metros de altura. “Por causa do clima instável as pessoas preferem partir do acampamento”, acrescenta.

O traje usado pelos alpinistas é de tecido sintético. O material é impermeável, resistente e leve. “A roupa segura o frio e é muito confortável”, afirma. Mas nas costas, um peso de 25 quilos. Durante todo o trajeto, os montanhistas carregaram mochilas com alimentos e equipamentos de escalada. “Todos os itens foram calculados. Nesse tipo de viagem, um quilo a mais atrapalha porque o cansaço aumenta e o rendimento cai”, explica. Cumprida a façanha inicial, permaneceram no abrigo por um dia em função do mau tempo. O céu estava coberto de nuvens pela manhã. E, ao final da tarde, ventos de até 50km/h.


Sete dias

Às cinco horas da manhã do dia seguinte, o céu estava limpo e o termômetro marcava menos 10 °C, tempo considerado bom para continuar a subida. Estava escuro e não ventava. Não demorou para o sol começar a iluminar o caminho dos alpinistas rumo ao topo. Durante a escalada, enfrentaram passagens com abismos de até 500 metros. “Isso é cruel para o psicológico”, lembra. Precisaram de seis horas para chegar ao cume onde permaneceram apenas 20 minutos. O espaço era pequeno e íngreme lá em cima. “A vista do cume é impressionante. Não tenho como descrever. Me senti muito bem, me senti vivo”, descreve.

A descida foi a parte mais difícil. “O local que escalamos só dava para descer de rapel. Tivemos que fazer cerca de dez rapéis. Não dava para ficar analisando muito senão não descíamos”, conta. Noventa porcento das mortes acontecem durante a descida. Os alpinistas levaram seis horas para sair do topo e chegar ao abrigo. Contaram com a vantagem de ter menos sete quilos de saquinhos de comida desidratada. A caminhada até o carro foi mais leve e menos demorada: dois dias depois, estavam de volta ao ponto de partida. Era o fim de sete dias de aventura.




› Desafios do Ecoturismo.. . (Fotos Marcelo Andrê)