Lições de turismo

Por Patrícia Castro
Foto Fernando Grillo

Para o executivo de hotelaria (Liberty Palace Hotel, de Belo Horizonte) e diretor admuinistrativo do BH Convention & Visitors Bureau, o turismo de eventos é uma das atividades que mais colabora para a movimentação da economia e a geração empregos.


Típico mineiro, a discrição é a marca do executivo de hotelaria Celso Morandi. A vida pessoal ele deixa para compartilhar com os mais íntimos. Ele fez questão de frisar, entre cigarros e xícaras de café, que a sua atividade profissional e o potencial turístico de Minas Gerais já rendem muita história. Ele estava certo.

Os resultados do seu trabalho, isso ele não tem como esconder, repercutem diretamente na vida dos belo-horizontinos. Morandi é diretor administrativo financeiro do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB), uma instituição sem fins lucrativos cujo principal objetivo é captar eventos para a capital, atraindo pessoas de todo o país e do exterior. A idéia, portanto, é fomentar o turismo de eventos. A receita da entidade é originada de mensalidades dos mantenedores da instituição. Os contribuintes são pessoas jurídicas que trabalham e lucram com o turismo, como hotéis, agências e restaurantes.


Empregos e inclusão social

Os eventos que os Conventions & Visitors Bureaus disputam são de grande porte: congressos técnico-científicos, feiras e convenções de grandes empresas. “Belo Horizonte tem sido muito procurada pelas empresas por causa da sua proximidade com o Rio de Janeiro e São Paulo, em função do parque hoteleiro — com mais de 12 mil apartamentos — e pelos baixos índices de criminalidade se comparado com o Rio e São Paulo”, observa.

Somente no Brasil, são, em média, 50 CBVs disputando, este ano, cerca de 500 eventos cadastrados no país e exterior. “É uma disputa quase a tapa porque esses eventos movimentam a economia local”, justifica. Para se ter uma idéia, um congresso com duração de quatro dias e um público de 3 500 pessoas é capaz de injetar cerca de R$ 7 milhões na economia. Deste valor, em torno de R$ 1,5 milhões são tributos e, portanto, receita para o governo estadual e municipal. “O turismo de eventos, além de movimentar a economia, gera empregos e promove a inclusão social”, afirma.

No ano passado, a entidade trouxe 38 eventos para BH. Este ano, já foram 12. A 47ª Reunião Anual das Assembléias de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que aconteceu em abril, em Belo Horizonte, não foi trazida pelo CVB, mas contribuiu para a projeção da capital e favoreceu o turismo de eventos. O encontro trouxe representantes de 47 países. “O BID foi o evento que mais deu visibilidade a Belo Horizonte. A capital passou a ser mais conhecida no exterior com um importante centro econômico mundial. O evento também mostrou que aqui existe boa estrutura e profissionais capacitados”, analisa. A reunião é itinerante e é considerado o terceiro maior evento financeiro do mundo.


Turismo de eventos e de negócios

Nos últimos seis anos, Morandi detectou o aumento do turismo de eventos e de negócios em Belo Horizonte. Enquanto o primeiro é caracterizado por um acontecimento que mobiliza um grupo, o segundo tem a marca da individualidade. “O turismo de negócios é caracterizado por aquelas pessoas que viajam a trabalho”, explica. Belo Horizonte é a quarta capital mais visitada por executivos, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e dos estados do Sul do país.

Apesar de considerar a estrutura de Belo Horizonte satisfatória, Celso Morandi acredita que o crescimento acelerado do turismo de eventos já exige novos espaços. Ele confessa ter o sonho de conseguir transformar o atual terminal rodoviário de Belo Horizonte, na região Central, em um espaço de convenções e feiras. “Seria uma obra importante de recuperação do Centro da cidade e se tornaria o lugar (para eventos) mais bem localizado do país pela proximidade do parque hoteleiro, do aeroporto e do comércio em geral”, prevê.


Expominas e turismo de lazer

A inauguração, para a realização do evento do BID, do novo Centro de Feiras e Exposições Expominas, localizado no bairro Gameleira, região Noroeste de Belo Horizonte, “vai alavancar muito mais eventos para BH”. Agora, além de ser o maior de Minas Gerais, o espaço é considerado o mais moderno da América Latina. A capital ainda conta com mais quatro lugares para abrigar eventos de grande porte: Minascentro, Espaço Séculos, Serraria Souza Pinto e o Palácio das Artes. 

Ao lado do turismo de eventos e de negócios, o turismo de lazer completa o triângulo de opções e modalidades de turismo. Quem vem a Belo Horizonte para um evento ou  trabalho quase sempre aproveita para conhecer a cidade. Ao final de grandes eventos, é comum a organização de passeiospelo estado. “68% do acervo histórico barroco do país está em Minas Gerais. Este é, inclusive, um apelo turístico que ajuda a captar eventos para Belo Horizonte”, afirma Morandi.

Belo Horizonte também tem os seus atrativos. “As pessoas têm uma visão de que BH é uma cidade limpa, arborizada e que oferece uma boa qualidade de vida. A gastronomia e os bares também atraem muitos turistas”, conclui.

“E os números comprovam”, como  ressalta Celso Morandi. Em 2005, Minas Gerais foi apontado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe-USP), como o segundo destino turístico nacional, perdendo apenas para São Paulo. Mais de 4 milhões de pessoas visitaram Minas no ano passado. Um salto considerável em relação à última pesquisa feita em 2001, quando ficou em 4° lugar. Hoje, o turismo é a terceira atividade econômica mais rentável do estado atrás da Indústria e do Comércio.