Pelas curvas dos rios

A água da chuva alimenta as nascentes e minas d’água e assim mantém os córregos, rios e todos os mananciais hídricos. Os rios e seus afluentes são os formadores de  uma bacia hidrográfica. Todos os componentes das bacias hidrográficas encontram-se interligados e os rios são os veículos dessa integração. Minas Gerais  é o estado que se destaca pela quantidade de bacias hidrográficas presentes em seu território e pela magnitude e importância delas em esferas locais e nacionais. É o mais importante e estratégico sistema de bacias hidrográficas do Brasil, excetuando-se o da Amazônia. As principais bacias da rede hidrográfica de Minas Gerais são as seguintes: bacia do rio São Francisco, do rio Doce, Jequitinhonha, Grande, Paranaíba e Paraíba do Sul.

Reportagem Carolina Godoi
Fotos Henry Yu


Relacionamos a vida no planeta com a água. A vida surgiu na Terra há mais ou menos 3,5 bilhões de anos. Desde então, a biosfera modifica o ambiente para uma melhor adaptação. Em função das condições de temperatura e pressão que passaram a ocorrer na Terra, houve um acúmulo de água em sua superfície, nos estados líquido e sólido, formando-se assim o ciclo hidrológico. Esse ciclo compreende a evaporação da água dos mares, dos rios, das plantas e do solo; a formação de nuvens; a condensação da água e a sua precipitação sob a forma de chuva. Como nossos rios sobrevivem? Da chuva que cai, uma parte infiltra e a outra escorre sobre a terra. A água que infiltra na terra abastece o lençol d'água subterrâneo, o qual alimenta as nascentes e minas d’água, mantendo assim os córregos, rios e demais mananciais hídricos.


Utilização da água, respeito à lei

O maior Portal Ambiental da América Latina, o Ambiente Brasil  (www.ambientebrasil.com.br), assim começa a tratar o assunto das águas. “Sua importância para a vida terrestre é inegável. Não há ser vivo sobre a face da Terra que possa prescindir de sua existência e sobreviver”. Além disso, segundo a OMS, a falta de água potável e de saneamento básico no Brasil, apesar dos avanços obtidos, é causa de 80% das doenças e de 65% das internações hospitalares, implicando em gastos anuais de U$ 2,5 bilhões. Admite-se que, para cada R$ 1 investido em saneamento básico, haveria uma economia de R$ 5 nos serviços de saúde. Em nível mundial, aqueles dois fatores são responsáveis pela morte de 12 milhões de pessoas anualmente. Assim, a utilização da água implica em respeito à lei. “Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza, não podendo ser ignorada nem pelo Estado, nem pela sociedade. A água é uma só para todas as serventias e não pode ser fabricada em laboratório”, defende Benjamim Sales Duarte, engenheiro agrônomo e assessor da diretoria do IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas.

Por todos esses fatores, urge a necessidade de que cada um de nós seres humanos, constituídos em quase toda a nossa totalidade de água, conheçamos nossos recursos e saibamos como preservá-los.


Bacia hidrográfica

O que é uma Bacia Hidrográfica? Compostas por rios e afluentes, elas garantem o abastecimento da população e a irrigação de lavouras. Seu conceito parece óbvio, mas que tal relembrar as aulas de geografia? O CENA – Centro e Energia Nuclear da Agricultura da USP ensina que uma bacia hidrográfica é uma determinada área de terreno natural delimitada pelos pontos mais altos do terreno (espigões e divisores d’água) que drena água, partículas de solo e material dissolvido para um ponto de saída comum, situado ao longo de um rio, riacho ou ribeirão. Portanto, por essa definição podemos concluir que dentro de uma bacia hidrográfica, podem existir inúmeras sub-bacias.

Com esse conceito em mente, fica fácil entender porque alguma ação localizada, feita em algum ponto da bacia, pode ser sentida a quilômetros de distância. Todos os componentes das bacias hidrográficas encontram-se interligados e os rios são os veículos dessa integração. Os rios são como nossas veias e artérias do nosso corpo, transportando nutrientes de um lado para outro. Devido a essa interligação natural, as bacias hidrográficas são excelentes unidades de planejamento e gerenciamento.

Segundo a EMATER-MG, com o Manejo Integrado de Bacias Hidrográficas é possível tornar compatível produção com preservação ambiental.

O Programa de Manejo Integrado de Bacias Hidrográficas busca concentrar esforços das diversas instituições presentes nas várias áreas de conhecimento, a fim de que todas as atividades econômicas dentro da bacia sejam desenvolvidas de forma sustentável e trabalhadas integradamente. Para tanto, é preciso observar, rigorosamente, a localização adequada das explorações e a maneira correta de executá-las.


Comitês de bacias hidrográficas

Para que os recursos sejam corretamente explorados existem comitês de rios federais que estão vinculados diretamente à Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), e os comitês de rios estaduais vinculados aos órgãos de gestão dos estados. Eles são compostos por três setores: representantes do poder público, usuários das águas e organizações da sociedade civil ligadas a recursos hídricos. O IGAM destaca quais são os papéis indispensáveis dos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs): “É a gestão democrática, descentralizada e compartilhada dos recursos hídricos em Minas Gerais, que é um Estado com  586 mil quilômetros quadrados, abrigando o mais importante e estratégico sistema de bacias hidrográficas, excetuando-se o da Amazônia”.

Atualmente, existem comitês de bacias hidrográficas muito pequenas, como a do rio Mosquito, por exemplo, ao norte de Minas Gerais que abrange a área de três municípios, até comitês das grandes bacias como as do rio Paraíba do Sul, São Francisco e Doce, que envolvem diversos estados e um grande número de municípios. Doutora em Antropologia e pesquisadora, Maria Lúcia de Macedo Cardoso explica que, atualmente, existem 93 comitês de bacias estaduais instituídos em todo país, distribuídos em dez estados, além de seis comitês de bacias de rios estaduais. São Paulo é o estado que possui um número maior, com 22 comitês; seguido de Minas Gerais, que possui 17. “Não cabe dúvida que os comitês já estão contribuindo para fortalecer o papel dos diversos atores sociais na discussão e criação de políticas públicas que contemplem os interesses de uma camada maior da população. O que seria inadmissível é que reforcem as elites políticas e ampliem as desigualdades”, diz.


“Caixa d´água do Brasil”

Menos de 1 % da água existente no nosso planeta encontra-se nos rios, córregos, lagos e lençóis subterrâneos. Somente nesses lugares a água está, economicamente, disponível para consumo da população humana e dos animais. A EMATER-MG, vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, nos lembra que “a terra, as plantas, os animais e a água são recursos que dependem uns dos outros.

Para se ter água sem períodos de escassez e livre de poluição, é preciso que se faça um uso adequado de todos os recursos naturais dentro da bacia hidrográfica.” No Brasil, é Minas Gerais  o estado que se destaca pela quantidade de bacias hidrográficas presentes em seu território, e pela magnitude e importância delas em esferas locais e nacionais. “
Diz-se que Minas Gerais é a caixa d´água do Brasil, pelo fato de grandes rios como São Francisco, Doce, Grande, Paraíba do Sul, Jequitinhonha aqui nascerem e beneficiarem outros estados da federação.  Essa grande quantidade de água se explica pelas muitas serras que aqui temos, com destaque para o Espinhaço, que pode ser chamado de caixa d´água de Minas, tal a quantidade de cursos d’água que nela nasce.”, afirma Maria Dalce Bicas, superintendente da ONG AMDA – Associação Mineira do Meio Ambiente.

A rede hidrográfica de Minas Gerais é dividida em seis bacias. Se considerarmos que a região Sudeste, na qual Minas se insere, concentra o maior contingente populacional do país e o maior parque industrial, o que significa também a maior demanda de água, podemos imaginar a importância e responsabilidade do Estado frente a essa dádiva da natureza.


Rio São Francisco

O Velho Chico, como carinhosamente é chamado pelos brasileiros, nasce em Minas Gerais e atravessa o sertão semi-árido mineiro e baiano, possibilitando a sobrevivência da população ribeirinha de baixa renda, a irrigação de pequenas propriedades e a criação de gado. Foi descoberto no dia 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco de Assis, pelos navegadores Américo Vespúcio e Gaspar Lemos. Daí seu nome oficial, mas nada substitui a sonoridade e o respeito que o seu apelido evoca.

Segundo o site de geografia www.frigoletto.com.br, a bacia do rio São Francisco é a terceira bacia hidrográfica do Brasil, a maior de Minas Gerais e a única totalmente brasileira. Drena uma área de 640.000 km² e ocupa 8% do território nacional. Possui 36 afluentes significativos, a maioria em Minas Gerais, estado responsável por 70% das águas desse rio.


Esgotos domésticos e industriais

Entre as cabeceiras, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e a foz, no oceano Atlântico, localizada entre os estados de Sergipe e Alagoas, o rio São Francisco percorre cerca de 2.700 km. Para o professor de geografia Eduardo Frigoletto de Menezes, desde as nascentes e ao longo de seus rios, a bacia do São Francisco vem sofrendo degradações com sérios impactos sobre as águas e, conseqüentemente, sobre os peixes. “A maioria dos povoados não possui nenhum tratamento de esgotos domésticos e industriais, lançando-os diretamente nos rios. Os despejos de garimpos, mineradoras e indústrias aumentam a carga de metais pesados, incluindo o mercúrio, em níveis acima do permitido”, diz.

Na cabeceira principal do rio São Francisco, o maior problema é o desmatamento para produção de carvão vegetal utilizado pela indústria siderúrgica de Belo Horizonte, o que tem reduzido as matas ciliares a 4 % da área original. O uso intensivo de fertilizantes e defensivos agrícolas também tem contribuído para a poluição das águas. Além disso, os garimpos, a irrigação e as barragens hidrelétricas são responsáveis pelo desvio do leito dos rios, redução da vazão, alteração da intensidade e época das enchentes, transformação de rios em lagos, com impactos diretos sobre os recursos pesqueiros. “Nunca é demais lembrar que o São Francisco, recebe 75% de suas águas em Minas Gerais, pois aqui estão seus grandes tributários: Paracatu, Velhas, Pandeiros, Verde Grande, Abeté e Veredas. Mas joga também a maior carga de poluição e degradação. As veredas por exemplo, que ocupam menos de 1% do território do Estado e têm relevância ambiental/hídrica inestimável, continuam a ser detonadas por atividades agropecuárias”, completa Maria Dalce Bicas, da AMDA.


Peixes e boa pescaria

Apesar dos sérios problemas ambientais que se observam na bacia do São Francisco, algumas áreas ainda oferecem condições para uma boa pescaria.  Os já citados peixes nativos e outras espécies introduzidas e bem sucedidas podem ser capturadas em suas águas, freqüentadas principalmente por pescadores de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

O Programa Nacional de Pesca Amadora, o PNDPA, contabiliza 152 espécies de peixes nativos da bacia. Entre as mais importantes nos rios e lagoas naturais destacam-se as migradoras, curimatã-pacu (Prochilodus marggravii), dourado (Salminus brasiliensis), surubim (Pseudoplatystoma corruscans), matrinxã (Brycon lundii), mandi-amarelo (Pimelodus maculatus), mandi-açu (Duopalatinus emarginatus), pirá (Conostome conirostris) e piau-verdadeiro (Leporinus elongatus), e as sedentárias, pacamão (Lophiosilurus alexandri), piau-branco (Schizodon knerii), traíra (Hoplias malabaricus), corvinas (Pachyurus francisci e P. squamipinnis), piranha-vermelha (Pygocentrus nattereri) e piranha-preta (Serrasalmus piraya). Muitos gêneros de peixes encontrados na bacia do São Francisco são comuns às bacias amazônica e do Prata. O dourado é um pouco maior que a espécie da bacia do Prata, alcançando 30kg e 1,50m de comprimento. Os pintados são famosos pelo tamanho que atingem, mais de 100kg, embora peixes desse porte não sejam muito comuns.


Rio das Velhas

Quando o assunto é o Rio São Francisco, impossível não nos lembrarmos do seu maior afluente em extensão, o Rio das Velhas. Seu nome foi dado pelo governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, em 1711. O Rio das Velhas apresentava a primitiva denominação indígena de Uaimii, alterada para Guaichui, que quer dizer "Rio das Velhas tribos descendentes" (Feam, 1998).

A bacia está inteiramente localizada na região central do estado de Minas Gerais, orientada no sentido sudeste para noroeste. O Rio das Velhas, que tem suas nascentes na serra de Antônio Pereira, localizada dentro dos limites da APA da Cachoeira das Andorinhas, no município de Ouro Preto, deságua no Rio São Francisco, no município de Várzea da Palma, na localidade de Barra do Guaicuí. A bacia ocupa uma área de 29.173 km2 , totalmente no Estado de Minas Gerais. (Feam, 1998). A bacia hidrográfica apresenta-se segmentada em 51 municípios com uma população total de 4.406.190 (IBGE, 2000).


Projeto Manuelzão

A região metropolitana de Belo Horizonte, apesar de ocupar apenas 10% da área territorial da bacia hidrográfica, é a principal responsável pela degradação do Rio das Velhas.  Uma realidade que algumas pessoas resolveram não mais admitir. Presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Idealizador e Coordenador Geral do Projeto Manuelzão desde 1997, o professor Apolo Heringer Lisboa foi um dos integrantes, médicos da Faculdade de Medicina da UFMG, que criaram o Projeto Manuelzão.  Seu objetivo é promover a revitalização da bacia do Rio das Velhas. “Nós percebemos que saúde não é apenas uma questão médica: ela está diretamente relacionada às condições sociais e ao meio ambiente em que as pessoas vivem.”Dessa forma, o Projeto tem como eixo de atuação a promoção da saúde, do ambiente e da cidadania. A volta do peixe ao rio é o símbolo de sua luta. Para traduzir sua causa, o Projeto buscou inspiração em uma figura simples, grande conhecedora do sertão mineiro: o vaqueiro Manuel Nardi, que foi imortalizado na obra do escritor Guimarães Rosa como Manuelzão.Com atuação nos 51 municípios da bacia, o Projeto incentiva a participação e o comprometimento das pessoas, constrói relações com o poder público e o empresariado, atua na educação ambiental e na pesquisa. Tudo isso é feito para que em cada canto da bacia as pessoas atuem pelas questões locais e se percebam parte de um sistema em que cada ação, positiva ou negativa, reflete no todo. É o que Projeto chama de pertencimento de bacia. E o projeto tem alcançado algumas importantes conquistas. “Temos conseguido viabilizar a institucionalização de políticas públicas inovadoras como o biomonitoramento dos rios, a interdição da canalização de rios, a adoção de metas (objetivos e prazos), a navegação nos rios como meio para sua recuperação, a organização de sub-comitês de afluentes, a idéia de meio ambiente ampliado de forma macro e sistêmica, incluindo a política econômica-financeira e os valores sociais da ocupação do espaço”, conclui o professor Apolo Heringer Lisboa.


Lago de Três Marias

A sua geografia é caracterizada por campos, cerrado e encantadoras veredas, conhecidas como oásis do sertão. É onde se encontram as robustas e elegantes palmeiras do buriti que chegam a medir de 20 a 30 m de altura. Não foi à toa que Guimarães Rosa nelas se inspirava. Frutos nativos da terra como Murici, Araticum e Pequi são, ali, fartamente encontrados. O azul incomparável do Lago de Três Marias vêm atraindo cada vez mais turistas para o estado.

De acordo com a Secretaria do Estado do Turismo de Minas Gerais, a  pesca amadora e os esportes náuticos são as principais motivações para o Turismo na região. A partir de São Gonçalo do Abaeté, pode-se fazer passeios de barco pelo Rio São Francisco e a vasta costa de água doce do Lago de Três Maria é opção para as atividades náuticas. Cachoeiras e riachos são abundantemente encontrados em todo o circuito.

Já na área do Patrimônio Histórico os destaques ficam para as fazendas do século XVIII e XIX. A grande festa religiosa fica por conta do Jubileu de Nossa Senhora da Piedade, que acontece em agosto no município de Felixlândia. É um evento tão expressivo regionalmente que a imagem de Nossa Senhora da Piedade, no santuário em sua homenagem, atribuída ao mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi, inclusive, restaurada recentemente numa parceria do Iepha, Cecor e Faop.

O Lago de Três Marias surgiu do represamento do Rio São Francisco, formado com a construção de uma das maiores barragens de terra do mundo. Teve como principais objetivos a regularização do curso das águas do Rio São Francisco nas cheias periódicas e melhoria da navegabilidade; a utilização do potencial hidrelétrico e o fomento da indústria e irrigação. Iniciada em maio de 1957, a grande obra foi concluída em janeiro de 1961, representando um verdadeiro recorde mundial de construção desta natureza.


Rio Doce

O Vale do Rio Doce possui 222 municípios e sua população é de cerca de 3,1 milhões de habitantes. O rio possui uma extensão de aproximadamente mil quilômetros. É uma região de grande importância econômica para o Estado e o País, por constituir um extenso pólo industrial conhecido como Zona Metalúrgica ou "Vale do Aço", onde se encontram importantes usinas siderúrgicas. A bacia começou a ser povoada na década de 1930 e sua história se baseou na extração de madeira, nos ciclos do ouro e na construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas.

O sistema de lagos do Vale do Rio Doce é constituído por cerca de 160 corpos lacustres preservados (entre os rios Piracicaba e Doce), estando cerca de 50 deles situados dentro do Parque Estadual do Rio Doce (PERD).


Parque do Rio Doce

O Parque Estadual do Rio Doce está situado na porção sudoeste do Estado, a 248 km de Belo Horizonte, na região do Vale do Aço, abrangendo os municípios de Marliéria, Dionísio e Timóteo, abrigando a maior floresta tropical de Minas, em seus 36.970 ha. Seu sistema hídrico ocupa cerca de 6% de sua área. O limite noroeste é feito pelo Rio Piracicaba e o leste pelo Rio Doce, fazendo fronteira com centros urbanos, áreas agropastoris e extensos cultivos de eucalipto da Companhia Agrícola Florestal (CAF). É cenário de um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica no Brasil. O visitante é presenteado com a oportunidade de ver árvores centenárias, madeiras nobres de grande porte e uma infinidade de animais nativos.

São quarenta lagoas naturais dentro do Parque Estadual do Rio Doce, o que proporciona um belíssimo espetáculo. A sua principal lagoa, Dom Helvécio, possui 6,7 km² e uma profundidade de até 32,5 metros. As lagoas abrigam uma grande diversidade de peixes, que servem de importante instrumento para estudos e pesquisas da fauna aquática nativa. Bagre, cará, lambari, cumbaca, manjuba, piabinha, traíra e tucunaré: esses são alguns dos peixes mais importantes que habitam em suas águas.

Importantes animais, já conhecidos da fauna brasileira também são freqüentes no Parque como capivara, anta, macacos-prego, sauá, paca e cotia, bem como espécies ameaçadas de extinção como a onça pintada, o macuco e o mono-carvoeiro, maior macaco das Américas. Na Unidade de Conservação é possível encontrar espécies admiráveis da avifauna como o beija-flor besourinho, chauá, jacu-açu, saíra, anumará, entre outros.

O Parque oferece infra-estrutura completa para atendimento ao turismo composta por vestiários, restaurante, anfiteatro, centro de informações, estacionamento e um posto da Polícia de Meio Ambiente. A área de camping tem capacidade para 250 barracas (500 pessoas). As reservas para o camping devem ser feitas com antecedência de, no mínimo, 30 dias.


Rápida degradação

A nascente do rio Doce fica na fazenda Morro Queimado, na Serra da Trapizonga, município de Ressaquinha. Deste local até o rio Piracicaba, em Ipatinga, denomina-se Alto Rio Doce. O desenvolvimento econômico da bacia — onde predominava a Mata Atlântica — e a má utilização do solo culminaram na sua rápida degradação. O médio rio Doce vai do rio Piracicaba até o rio Manhuaçu, na cidade de Aimorés. Este é o trecho mais degradado da bacia, ainda segunda a AMDA, principalmente devido à rápida retirada de suas matas, grandes monoculturas de eucaliptos e grandes áreas de pastagens, assim como má utilização do solo e erosões, lixos e esgotos industriais e domésticos. A região do baixo rio Doce compreende desde o rio Manhuaçu, na divisa dos estados de Minas e Espírito Santo, passa o rio Guandú, na cidade de Baixo Guandú/ES e segue até o oceano Atlântico.

Conhecer este rio é conhecer a nossa história.  De acordo com a Enciclopédia Livre  Wikipédia, o Rio Doce teve importância decisiva na conquista do Espírito Santo e de Minas Gerais pelos europeus. Pelo seu vale, no século XVIII penetraram sertanistas e exploradores como Antônio Dias de Oliveira e Borba Gato. No século XIX foi a vez de pesquisadores como o príncipe renano Maximilian von Wied-Neuwied e Frederico Sellow,  botânico alemão que morreu afogado em suas águas em 1831.  Ele foi o autor do primeiro guia do Brasil para imigrantes, tendo enviado ao museu de Berlim cerca de 12 mil plantas, 5 mil aves, 110 mil insetos e 2 mil amostras geológicas.


Rio Grande

A bacia do rio Grande pertence à bacia brasileira do rio Paraná. É responsável por cerca de 67% de toda a energia gerada no Estado mineiro. Os principais afluentes da bacia são o rio Grande, que nasce na Serra da Mantiqueira em Bocaina de Minas; o rio Aiuruoca, cuja nascente fica em Itamonte; rio das Mortes, que nasce em Barbacena/Senhora dos Remédios; rio Jacaré, com a nascente em Serra do Galba em São Tiago; Sapucaí, cuja nascente fica na Serra da Mantiqueira, em São Paulo; e o rio Pardo, que nasce em Ipuiúna.

A AMDA alerta que “considerando-se a biodiversidade aquática, o rio Grande era um dos mais importantes de toda a bacia de Minas Gerais, mas está quase morto, pois as barragens praticamente mataram a piracema, fenômeno fundamental para sua existência”.


Lago de Furnas

Quem disse que Minas não tem mar, não conhece o Lago de Furnas. Seu circuito abrange 34 municípios mineiros. Seu volume de água é sete vezes maior que o da Baía da Guanabara, no estado do Rio de Janeiro. O represamento das águas dos rios Grande e Sapucaí criou uma paisagem nova e surpreendente. São cânions fabulosos, lagos, cachoeiras magníficas e praias artificiais. Os balneários se espalham pelas margens da represa, oferecendo uma excelente infra-estrutura. A região é a "Meca" da pesca e dos esportes náuticos. Os passeios de barco pelos cânions são imperdíveis.

Conta a história que foi o engenheiro da Cemig Francisco Noronha quem descobriu as Corredeiras das Furnas, quando saiu para pescar a convite da família Mendes Júnior. Era sabido que a Cemig já procurava no Rio Grande um lugar ideal para construir uma usina. Diante de um cânion longo e profundo, o engenheiro, impressionado, tirou fotos, desenhou barragens sobre as mesmas, calculou a profundidade do reservatório e, em Belo Horizonte, apresentou seus estudos ao engenheiro John Reginald Cotrim, então vice-presidente da Cemig e futuro presidente de Furnas.

No dia 9 de janeiro de 1963 o túnel que desviou o curso do rio Grande para a construção da Usina de Furnas foi fechado e as águas que formaram um dos maiores reservatórios do mundo, criou praias, formou cânions e cachoeiras inundou vilarejos e mudou para sempre a história dos 34 municípios que ficam ao longo dos 1.440 km2 de extensão do Lago de Furnas.

A sede do município de Guapé ficou praticamente submersa, o que levou à construção de uma nova sede em local definido pela população. O distrito de São José da Barra, então pertencente a Alpinópolis e emancipado em 1994, ficou integralmente debaixo das águas e deu lugar à "Nova Barra", que a pedido do padre Ubirajara Cabral, pároco local, foi construída pela Central Elétrica de Furnas na forma de um banjo.

Hoje, as cidades que compõe o Lago de Furnas são Alfenas, Fama, Verginha, Monte Belo, Areado, Alterosa, Divisa Nova Campos Gerais, Machado, Paraguaçu, Poço Fundo e Serrania. (Fonte: Furnas Centrais Elétricas S.A - Ministério das Minas e Energia).


Bacia dos rios Pardo/Mucuri

O rio Pardo nasce em Rio Pardo de Minas e possui extensão de 220 km no território mineiro. Seus principais afluentes são os rios Pardinho, Mosquito, Preto e Itaperaba (pela margem direita); e rio São João (margem esquerda).

Já o rio Mucuri é formado pela junção dos rios Mucuri do Sul, que nasce em Malacacheta, e Mucuri do Norte, cuja nascente fica em Ladainha.

Da área total da drenagem da bacia (15.100 km2), 94,7% estão em terras mineiras e os principais afluentes do rio Mucuri são os rios Todos os Santos e Pampã.


Rio Jequitinhonha

A bacia do Rio Jequitinhonha drena uma das áreas mais pobres de Minas Gerais, em grande parte no nordeste do estado. A área compreende seis mesorregiões, subdivididas em onze microrregiões, com sessenta e três municípios, estando 41 totalmente incluídos na bacia e 22 parcialmente. O índice de pobreza ostentado pela região é elevado, ocasionando êxodo rural para os grandes centros urbanos e um esvaziamento demográfico persistente. Com mais de dois terços da população vivendo na zona rural, ela tem sido caracterizada, segundo o IBGE, em vários estudos como "região deprimida", onde os índices de pobreza, miséria, desnutrição, mortalidade, analfabetismo, desemprego e infra-estrutura sócio-econômica imperam desfavoravelmente em grande parte dos municípios.

Vários diagnósticos convergem ao apontar as restrições hídricas e as secas periódicas como agentes relevantes para o baixo desempenho da agropecuária na bacia, que ainda responde por 30% do PIB regional. Esses fatores, somados à carência de investimentos públicos e privados, corroboram a tese de que a região é expulsora de população. Todavia, esse quadro depressivo vem sendo paulatinamente modificado para melhor pelos governos estaduais, que vêm desenvolvendo esforços no sentido de aperfeiçoar a malha viária e de distribuição de energia elétrica como forma de canalizar recursos para a implantação de indústrias e melhorar o escoamento de produtos gerados na região, além de facilitar a entrada e a circulação de produtos vindos de outros mercados.

A exploração indiscriminada de diamantes na região do alto Jequitinhonha, feita ao longo dos anos, contribuiu para um grande impacto ambiental na bacia. Assim como o desmatamento para fins agropastoris e a mineração. Segundo o IBGE, todo o leito do Jequitinhonha mostra assoreamento extensivo. A desembocadura na cidade de Belmonte acha-se intensamente colmatada em função do aporte de material carreado do alto e médio cursos, comprometendo as atividades de navegação nos canais que dão acesso à cidade vizinha de Canavieiras. Pelas características físicas particulares de clima e relevo, associadas às condições sócio-econômicas, sobretudo de saneamento básico, a bacia do Jequitinhonha configura-se ainda como um grande desafio às políticas governamentais.


Rio Paraíba do Sul

O rio Paraíba do Sul é o principal curso d'água da bacia. Ele nasce na Serra da Mantiqueira, em Antônio Carlos. Seus outros dois principais afluentes são os rios Pomba, que nasce em Barbacena, na Serra da Conceição; o rio Paraibuna, cuja nascente fica em Monte Carmelo; e o rio Muriaé, que nasce na Serra das Pedras.

Segundo artigo do diretor Regional da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Jander Duarte Campos, a bacia do rio Paraíba do Sul, que abrange uma das mais desenvolvidas áreas industriais do país, reflete hoje, todo o processo histórico de ocupação, caracterizado pela descontinuidade dos ciclos econômicos, pelos desníveis sócio-econômicos regionais e pela degradação ambiental (efluentes domésticos e industriais sem tratamento adequado, lixões, desmatamento e erosão, uso indevido e não controlado de agrotóxicos, a falta de consciência ambiental e etc). “Na bacia vivem cerca de 5 milhões de habitantes numa área de 57.000 km2 que se estende pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Cerca de 8 milhões de habitantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro também se abastecem de suas águas através da captação de 44 m3/s no rio Guandu, derivados de duas transposições da bacia para a vertente atlântica da Serra do Mar”.


Rio Paranaíba

A Bacia do Rio Paranaíba, terceira maior bacia hidrográfica do país, faz parte da grande bacia brasileira do Rio Paraná. Abrange áreas dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, envolvendo no total, 196 municípios (136 em Goiás, 55 em Minas Gerais, cinco em Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal ) O Rio Paranaíba nasce na Serra da Mata da Corda, no município de Rio Paranaíba, a uma altitude de 1.100 m. A partir daí, em seu percurso de 1.120 km, muda várias vezes de orientação até tomar o rumo sudoeste e, por 680 km, marcar a fronteira do estado de Minas com Goiás e Mato Grosso do Sul.

As terras pertencentes a esta bacia tiveram sua ocupação iniciada no século XVI, quando em seus rios, principalmente em Goiás foram encontrados ouro e diamantes motivando uma intensa atividade de garimpo, que persiste em menor escala, até a presente data. Hoje, com uma população de aproximadamente 8,5 milhões de habitantes tem ainda perspectivas de um crescimento rápido nos próximos dez anos.

Os principais usos da bacia do Rio Paranaíba atualmente identificados são a geração de energia elétrica: FURNAS, CEMIG, CELG, CEB, com cinco usinas hidrelétricas em operação, (Água Vermelha, São Simão, Cachoeira Dourada, Itumbiara e Emborcação, produzindo hoje, 26% da energia elétrica nacional e duas usinas em construção); abastecimento público e esgotamento sanitário: COPASA (MG), CAESB (DF), SANEAGO (GO) e serviços municipais de água e esgoto.

Além do abastecimento industrial e diluição de efluentes: industriais alimentares, frigoríficas, de óleos vegetais, curtumes, mineração e usinas de álcool (Goiânia, Uberlândia, Patos de Minas, Patrocínio, Araguari, Tupaciguara, Goiatuba e Distrito Federal); uso agrícola para a irrigação - 80% da área total da bacia é ocupada por agricultura, com grande demanda de água por irrigação, prática esta, que vem se difundindo rapidamente consumindo 78% da água da bacia; pesca e piscicultura e o Turismo e Lazer, com grande potencial, ligado a recursos hídricos (estâncias hidrotermais, reservatórios e cachoeiras).

O ambientalista Wilson José da Silva, membro da fundação S.O.S Paranaíba e coordenador da Unidade de Planejamento de Recursos Hídricos do Rio Paranaíba, chama o rio de “Gigante Doente”. O motivo é a perda de quase toda sua mata ciliar e a conseqüente diversidade de habitats que existiam em suas margens, seja com cobertura de florestas ou cerrados e cerradões. Segundo ele, seu curso médio e baixo também sofreram profundas alterações em sua condições naturais devido as construções das barragens das Usinas Hidrelétricas de Emborcação, Itumbiara e São Simão. A qualidade de suas água, conforme a FEAM (2003) varia de ruim ( Índice de Qualidade de Águas IQA entre 35 e 65) muito ruim (entre 70 e 90) em trechos, respectivamente, desde sua nascente até o encontro do Rio Grande, na formação do Paraná.

O ambientalista, porém não deixa de procurar possíveis soluções para os problemas da bacia. Entre elas, “sensibilizar, conscientizar e estimular comunidades ribeirinhas e produtores rurais, com o intuito de recompor as áreas degradadas, recuperando as matas ciliares, reservas permanentes e preservar as nascentes; Estimular e possibilitar a participação dos municípios de abrangência do rio, com a finalidade de encontrar soluções, como a implantação de: Usinas de reciclagem; Usinas de compostagem; Unidades de tratamento de esgoto doméstico e industrial e hospitalar”.


Por onde começar a mudança

Os cientistas esclarecem que a água nunca vai diminuir ou acabar no planeta terra. Ela sempre existiu e vai continuar existindo nos nossos reservatórios. No livro ‘Gente Cuidando das Águas’ esse assunto é abordado com profundidade. Segundo seus autores (Demóstenes Filho, Patrícia Sartini e Margarida Ferreira) a água só está ficando mais longe dos que não cuidam das nascentes, de águas de chuvas e de áreas de recargas. “Ela só foge de quem não zela por sua qualidade, como um cachorro corre de quem o maltrata”.

Por isso é crescente a quantidade de pessoas que evoluem na gestão cidadã de Águas. “Se formos hierarquizar, penso que o que Minas Gerais precisa é fazer “para ontem”, zoneamento econômico-ecológico de seu território, pois os corpos d´água são o espelho do que fazemos com o solo, floresta e efluentes gerados por nossas atividades industriais, de infra-estrutura e domésticas. Além disso, é preciso estabelecer metas para tratamento de esgotos. Não adianta reclamarmos da poluição industrial, se a cada vez que apertamos as milhares de descargas de nossos banheiros, estamos contribuindo para matar nossos rios”, explica Maria Dalce Ricas.

Ela lembra ainda que “não existe água sem floresta e vice-versa. A derrubada de vegetação nativa em Minas não se justifica, porque já perdemos 80% dela, o que significa que não será por falta de áreas desmatadas que a economia do Estado irá parar”. Então é preciso identificar áreas onde a vegetação natural tenha de ser recuperada, para que possamos pelo menos paralisar a degradação de nossos recursos hídricos.

O Projeto Manuelzão deixa seu recado esperançoso. Os desafios ainda são muitos, mas existe saída. “A recuperação dos rios significa mudança nos valores da gestão econômica e da construção urbana. Significa que a mentalidade da sociedade começa a mudar. Porém, o primeiro passo é frear a degradação, é decretar a moratória ambiental. 30% do território brasileiro são suficientes para a agricultura e a produção animal. 70% deve ser preservada e conservada. Isto é fundamental para a saúde dos nossos rios pois a terra é mãe das nossas águas.”



Vista do Lago de Três Marias, que surgiu do represamento do Rio São Francisco, formado com a construção de uma das maiores barragens de terra do mundo. (Foto Henry Yu)


A Bacia do Rio Paranaíba faz parte da grande bacia brasileira do Rio Paraná. Na foto, o Rio Araguari, afluente do Paranaíba. (Foto Henry Yu )

A legendária nascente do Rio São Francisco, na Serrada Canastra. (Foto Henry Yu)


Rio das Velhas, próximo à nascente. (Foto Henry Yu )

Conhecer o Rio Doce é conhecer a nossa história, pois teve importância decisiva na conquista do Espírito Santo e de Minas Gerais pelos europeus. (Foto Henry Yu)


O representante das águas dos rios Grande e Sapucaí, que gerou o Lago de Furnas, criou uma paisagem nova e surpreendente. São cânios fabulosos, lagos, cachoeiras magníficas e praias artificias. (Foto Henry Yu )

Na bacia do Rio Paraíba do Sul vivem cerca de 5 milhões de habitantes numa área de 57.000km que se estende pelo estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. (Foto Henry Yu)


A grande quantidade de água se explica pelas muitas serras que existem em Minas Gerais, com destaque para o Espinhaço, que pode ser chamado de caixa d'água de Minas, tal a quantidade de cursos d'água que nela nasce. Na foto, a Cachoeira Grande no Rio Cipô. (Foto Henry Yu )

São quarenta lagoas naturais dentro do Parque Estadual do Rio Doce, o que proporciona um belíssimo espetáculo. A sua principal lagoa, Dom Helvécio, possui 6,7km2 e uma profundida de até 32,5 metros. As lagoas abrigam uma grande diversidade de peixes, que servem de importante instrumento para estudos e pesquisas da fauna aquática nativa. (Foto Henry Yu)


Corredeiras do Rio Jequitinhonha, próximo a cidade de Almenara. (Foto Henry Yu )