Recanto de natureza, cultura e lazer

A cultura de produção de cachaça de alambique gerou um surpreendente destino turístico com variada programação e repleto de atrativos, como criatório de aves, orquidário e gastronomia de padrão internacional.


Reportagem Assad Abrahão
Fotos Henry Yu

Uma fazenda com privilegiada localização - no distrito de Vianópolis em Betim, a poucos quilômetros do centro de Belo Horizonte -, cercada de muito verde e adornada por bela paisagem, cujo propósito inicial era unicamente a produção de cachaça artesanal de qualidade, acabou por se transformar em um fantástico Parque Ecológico, onde convivem em plena harmonia belezas naturais, atividades culturais e várias opções de lazer.

Tudo começou em meados dos anos 80 quando a Fazenda Vale Verde passou a produzir as cachaças Vale Verde e Minha Deusa, hoje marcas consagradas pela indiscutível qualidade.

Para alcançar o nível superior desta bebida tão genuinamente mineira e conseguir criar um produto diferenciado qualitativamente, a Fazenda Vale Verde foi buscar na Escócia o aprimoramento de técnicas de fermentação e destilação, inclusive assimilando tecnologias usadas na fabricação de uísques finos. Os conceitos vindos das terras altas escocesas sofreram adaptações e geraram um pioneiro processo de produção. O mais interessante é que o solo calcário da fazenda enriqueceu substancialmente o sabor e a textura da cana resultando em um agradável paladar, tanto para a Vale Verde quanto para a Minha Deusa.


Diferencial de qualidade

Embora obedecendo o mesmo processo de produção, as duas cachaças têm uma diferença básica: apresentando uma cor dourada e com sabor suave, a Vale Verde é envelhecida por três anos em barris de carvalho europeus, enquanto a Minha Deusa é imediatamente engarrafada, saindo em seguida para o mercado consumidor.

“Essas marcas se tornaram tradição entre os bons entendedores do assunto no Brasil e também no exterior. A Vale Verde, que já é líder no mercado nacional de cachaças artesanais, é hoje um produto para exportação, sendo referência mundial de qualidade, aprovada e reconhecida por conceituados laboratórios”, ratifica o site oficial do Parque Ecológico.

A fama das cachaças produzidas na Fazenda Vale Verde logo extrapolou fronteiras e o local começou a despertar interesse e curiosidade nos aficcionados pela bebida, tamanho o diferencial de qualidade e sabor das marcas Vale Verde e Minha Deusa. A Fazenda Vale Verde passou a receber uma média de 1.500 visitantes ao mês. A estrutura montada para produzir as cachaças, como a beleza do alambique de cobre e os imensos galpões repletos de barris de carvalho, impressionava a todos os visitantes.

“A idéia de criação do Parque Ecológico surgiu graças à cachaça. O processo de produção sempre foi aberto ao público. As visitas se sucediam e as pessoas se revelavam encantadas com cada etapa, da moenda da cana ao envelhecimento”, conta Rafael Gonçalves Horta, gerente de operações do Vale Verde Alambique e Parque Ecológico.   

Em pouco tempo, a Fazenda Vale Verde tornou-se um grande atrativo da região metropolitana de Belo Horizonte. “Era o momento de melhorar o atendimento ao público, e começamos com a abertura do restaurante”, lembra Rafael Horta. Mas a fazenda não parava por aí com as suas atrações: a criação de aves silvestres, devidamente registradas no Ibama, e o cultivo de orquídeas raras, são vocações com irresistível apelo turístico.


Roteiro pelo Parque

Do somatório entre a cultura de produção da bebida mais venerada do Brasil aos atrativos de uma fazenda incomum, surgiu o Vale Verde Alambique e Parque Ecológico, hoje um empreendimento modelo na vertente do turismo rural.

Como não poderia deixar de ser, o roteiro pelo Parque Ecológico começa pela apresentação de todas as etapas de fabricação da Vale Verde e da Minha Deusa. O turista toma conhecimento de fatos muito interessantes: o sabor e a qualidade das cachaças já começam na colheita e no corte adequados da cana-de-açúcar, cuidadosamente selecionada antes de ir para a linha de produção. Depois de destiladas, as marcas Vale Verde e Minha Deusa passam por dois filtros, um de carvão e outro de resina catiônica, que  garantem a eliminação dos chamados metais pesados, tornando a bebida mais saudável.

O processo para alcançar o máximo em qualidade não pára por aí: “As camadas de carvão de raiz e nós de pinus retiram a acidez natural da fermentação e suavizam o sabor, ou seja, um processo natural elimina o uso de aditivos artificiais. Ao contrário dos processos convencionais, que têm seus alambiques soldados com chumbo, metal prejudicial à saúde, os alambiques da Vale Verde são soldados com cobre”.


Criatório de aves

Depois de todas essas informações, o turista conhece o galpão de 100 metros onde são mantidos cerca de 2 mil barris de carvalho - lacrados pelo Ministério da Agricultura - onde repousa a Vale Verde para o envelhecimento de três anos. 

Mas a viagem pela cultura de produção da cachaça continua pelo interessante Museu da Cachaça, dono de um acervo de 1.500 marcas. Outro destaque são os belos painéis que ilustram a história da bebida desde os relatos iniciais, que remontam ao Egito antigo, até os dias de hoje.   

As próximas atrações surgem para ratificar a vocação ecológica do Parque Vale Verde, que abriga um dos maiores criatórios de aves do Brasil. Os viveiros são a moradia de milhares de aves, várias da fauna brasileira e ameaçadas de extinção, além de diferentes espécies exóticas originárias de diversas partes do mundo. O criatório é autorizado pelo Ibama, inclusive para a comercialização, e o órgão leva também animais apreendidos para cuidados e recuperação no hospital do Parque.


Galpão Adega e orquidário

O orquidário é outro motivo para encantamento. São várias espécies cultivadas no Parque, algumas raríssimas. As magníficas plantas ficam em três galpões repletos de várias espécies oriundas de cruzamentos artificiais, também chamadas de híbridas, e outras selvagens dos mais variados gêneros.

Todos os atrativos do Parque Ecológico Vale Verde estão reunidos no Galpão Adega, um charmoso espaço onde funcionam simultaneamente uma lojinha - que oferece artesanato e produtos da culinária mineira, como doces, conservas, laticínios e a já famosa gelatina de cachaça -, e uma lanchonete, onde é possível degustar as cachaças devidamente acompanhadas com tira-gosto. É no Galpão Adega que estão expostas as premiadas orquídeas do Vale Verde e alguns dos pássaros mais bonitos e raros do mundo.

A gastronomia entra como um complemento luxuoso em meio a tantos atrativos. De padrão internacional, o restaurante - com capacidade para 170 pessoas - oferece as mais variadas “delícias da fazenda”. Fazem parte do cardápio iguarias como faisões, perdizes, tilápias e vegetais orgânicos cultivados no Parque.


4 500 visitantes por mês

Para completar o leque de lazer para toda a família, nada melhor do que agradáveis passeios de charrete pela trilha ecológica do Parque. Um playground, com brinquedos seguros, garante a diversão das crianças que são acompanhadas pelos monitores das atividades recreativas.

A consolidação da Destilaria Vale Verde Parque Ecológico como um dos mais interessantes centros de turismo de Minas Gerais é traduzida em números: 4 500 visitantes por mês.

“Trabalhamos desenvolvendo vários atrativos turísticos que atendem um público também diversificado. Temos, por exemplo, o turismo pedagógico - uma pedagoga faz a programação de acordo com o nível escolar, do ensino fundamental ao superior. Temos o turismo da melhor idade, com uma programação especial para atender esse público; recebemos muitas famílias nos finais de semana, pesquisadores e estudantes e ainda fazemos parte do roteiro de turismo para Minas Gerais da operadora CVC”, explica Rafael Horta. O gerente operacional informa que o Parque Ecológico conta com uma equipe de profissionais especializados em diferentes áreas, como biólogos, veterinários e turismólogos, dentre outros. “Contamos com um guia que mostra todas as etapas de produção da cachaça; monitores que conduzem os passeios ecológicos pelas trilhas interpretativas; realizamos oficinas voltadas para o cultivo de orquídeas aos domingos e temos passeios de charrete e a cavalo. Outros programas que fazem muito sucesso, segundo Horta, é o “papo animal” (o monitor e o veterinário mostram os animais criados no Parque e falam sobre temas ligados à preservação da natureza) e o “Sábado no Vale” quando sempre acontece uma atividade cultural diferente: música, gincana e teatro.

O setor de negócios e eventos não foi esquecido. As empresas, entidades e instituições encontram no Parque um clima agradável e tranqüilo para a realização de feiras, eventos, reuniões, cursos, palestras, almoços e comemoração de datas especiais. O Vale Verde conta com dois salões (com capacidade para 60 e 100 pessoas, respectivamente) equipados com televisão, vídeo, retroprojetor e aparelho de som.

Assim é o Vale Verde, um Parque Ecológico e Destilaria que reúne em um mesmo espaço todos os atrativos que caracterizam um destino turístico rural de alta categoria.



Vista parcial do Vale Verde Alambique e Parque Ecológico. (Foto Henry Yu)


Orquidário e Pássaros raros: atrativos do Vale Verde. (Fotos Henry Yu)

Museu da Cachaça: acervo de 1500 marcas. (Fotos Henry Yu)

A belíssima capela do Parque Ecológico. (Foto Henry Yu)


Alambique de cobre:  destila as cachaças Vale Verde e Minha Deusa. (Foto Henry Yu)