Turismo é um bem social

Por Marcela Vilas Boas
Foto Carlinhos Filho


Em 1962, com apenas 16 anos, o jovem estudante Roberto Fagundes embarcava para os Estados Unidos. E o intercâmbio estudantil, em uma época em que programas como este era pouco comum, proporcionou ao mineiro bom conhecimento da língua inglesa e de cultura completamente diferente da pacata Belo Horizonte.

Foi um golpe do destino que colocou Fagundes, definitivamente, no mundo do turismo. Ao retornar a Belo Horizonte, teve a oportunidade de guiar um grupo de congressistas aos Estados Unidos. E não parou mais. Em 1970, lançou com outros três sócios a SR Turismo. E, em 1975, com a fundação da rede Clan Turismo, se consolidou no mercado do turismo internacional.

Apesar da formação em Engenharia Civil, Roberto Fagundes sempre investiu nas áreas de hotelaria e turismo. Em seu currículo, ostenta cargos como o de ex-diretor da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), vice-presidência da Câmara de Turismo da Fiemg e  diretor da Federação das Associações Comerciais de Minas Gerais (Federaminas). Hoje, além de vice-presidente da ACMinas e do Conselho Curador do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, é secretário-adjunto de Estado de Turismo de Minas Gerais.


Estrada Real

Quando Roberto Fagundes assumiu o cargo no Governo de Minas encontrou um grande desafio. O projeto Estrada Real estava apenas começando e ele sabia que o trabalho não seria fácil. “A Estrada Real tem grande potencial turístico e é fundamental para o desenvolvimento social dos municípios. Estamos caminhando bem e, agora, as comunidades já investem em seus potenciais locais, o que é fantástico”, explica.

De acordo com Fagundes, é preciso agregar valor aos produtos do Estado, mas sem perder o “jeitinho mineiro” de fazer turismo. “Temos que preservar sempre a forma especial dos mineiros de receber o turista com qualidade, mas sem perder a simplicidade”, afirma. Além disso, a estratégia do secretário-adjunto é mostrar Minas para o seu povo. “Poucos mineiros conhecem seu Estado. Vamos valorizar a história e as belezas de Minas para transformá-lo em um destino ainda mais atraente”, salienta.


Turismo regionalizado

Roberto Fagundes também aposta suas fichas na regionalização do turismo em Minas Gerais. O Governo do Estado já oficializou 27 circuitos turísticos e, até o final de 2006, pretende incluir os 853 municípios mineiros em 52 circuitos. A idéia é reunir as potencialidades semelhantes de uma região em um único projeto de capacitação e gerenciamento do turismo. “Para isso, investimos na regionalização dos vôos e melhoria das estradas”, completa.

Outro grande projeto da secretaria de Roberto Fagundes é internacionalizar Belo Horizonte evidenciando seu potencial para o turismo de eventos e negócios. Ele ressalta a importância da revitalização do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e da reforma do Expominas, maior centro de exposições e eventos da América Latina. “Vamos colocar a capital de Minas Gerais na mídia internacional e uma forte campanha espera atrair visitantes para a cidade”, diz. 

“Minas Gerais concentra variedade em cultura e belíssimos cenários naturais. O enfoque no turismo no Estado está apenas começando. Temos que lembrar sempre do turismo independe da política. É um bem social e, por isso, nunca deve estar em segundo plano”, completa.