Indicadores de crescimento

O ministro do Turismo diz que existe hoje um novo mapa turístico no Brasil, afirma que o Circuito Estrada Real é o símbolo de uma nova fase do turismo no país e espera que o setor oferte 310 mil empregos e ocupações em 2006.


— Na primeira entrevista que o senhor concedeu à Sagarana, no início de sua gestão, o senhor afirmou que um dos principais objetivos do Plano Nacional de Turismo (PNT) era trabalhar para que cada Estado desenvolvesse pelo menos três produtos turísticos. Quais foram os resultados alcançados?

Consideramos que esta meta foi alcançada no ano passado, no Salão do Turismo, que fizemos em São Paulo, quando divulgamos 451 produtos turísticos, envolvendo 959 municípios. Isso foi possível com os fóruns estaduais de turismo e o trabalho do Programa de Regionalização do Turismo. Eu fui pessoalmente em cada estado para instalar os fóruns. Com os estados traçamos um novo mapa turístico do Brasil. E agora, em junho deste ano, vamos fazer a segunda edição do Salão do Turismo – Roteiros do Brasil e mais produtos serão lançados.


— O senhor tinha a expectativa de que o PNT geraria 1, 2 milhão de empregos em quatro anos. Qual é a realidade hoje?

Acredito que vamos alcançar essa meta. O turismo tem uma sazonalidade característica e quando falamos em 1,2 milhão estamos falando em empregos e ocupações. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que houve um aumento de 100.939 empregos com carteiras assinadas em atividades ligadas ao turismo em 2004. Para cada emprego formal no setor do turismo, existe 1,7 informal. Podemos afirmar então que foram gerados 270 mil empregos e ocupações apenas em 2004. O turismo é uma das atividades que mais geram emprego no mundo e no Brasil não é diferente. Neste ano de 2006 esperamos que o setor oferte 310 mil empregos e ocupações.


— Qual é a avaliação que o senhor faz sobre a dinâmica da atividade turística em Minas Gerais?

Minas Gerais tem uma tradição forte de turismo. Tem um inestimável patrimônio histórico, culinária, arte e artesanato que somam em muito para o desenvolvimento sustentável do turismo no estado. Minas é naturalmente atraente como destino turístico e a parceria do governo federal com os municípios, o governo estadual e o setor privado trabalha para impulsionar mais a atividade.


— Especificamente em Minas Gerais, quais são os principais projetos conduzidos pelo Ministério do Turismo e como o senhor avalia (ou prevê) os resultados no presente e no futuro?

Temos uma excelente parceria com o Instituto Estrada Real, especialmente para a valorização do potencial turístico desse circuito em Minas Gerais com o envolvimento das comunidades locais, dos pequenos empresários e até mesmo de produções artesanais. A iniciativa incrementa a renda dos empreendedores da região, incentiva a criação de postos de trabalho e transforma o turismo do circuito em um agente de valorização e conservação do patrimônio cultural e natural. Outro projeto importante é o de recuperação da linha férrea imperial que liga Ouro Preto a Mariana. Vamos ter aí um trem turístico. É uma obra grande pelo seu valor histórico e cultural e de resgate da memória. São parceiros nesse projeto maravilhoso a Fundação Vale do Rio Doce, a UFOP, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, as prefeituras de Mariana e Ouro Preto, e também o Ministério da Cultura. Mas esses são apenas alguns dos projetos do turismo mineiro.


— A Estrada Real, o projeto turístico mais ambicioso de Minas Gerais, já pode ser consagrado como um produto turístico?

Costumo dizer que a Estrada Real é um verdadeiro símbolo de uma nova fase do turismo no Brasil, ao integrar desenvolvimento econômico, social e ambiental. É um dos projetos de maior potencial turístico no País. E, com certeza, algumas cidades do roteiro estão muito preparadas para o turismo. Como Ouro Preto, Tiradentes e Diamantina, que já são cidades turísticas. Isso, falando apenas do circuito mineiro da Estrada Real. Diamantina, por exemplo, está recebendo investimento grande dentro do Prodetur Nordeste II, para o saneamento em todo o município. Mas o que acontece é que a Estrada Real inclui muitos municípios de três estados. E alguns desses municípios não tinham, ainda, explorado seu potencial turístico. Nesses, a infra-estrutura precisa ser completada. Mas no turismo a gente percebe que não adianta preparar demais sem ter a demanda e também não adianta ter muita demanda sem ter infra-estrutura para atendê-la. As coisas têm que acontecer mais ou menos ao mesmo tempo. E no caso da Estrada Real, é isso que está acontecendo.


— A que fatores o senhor atribui os recordes registrados em 2005 na entrada de dólares via turistas internacionais e o número de desembarques no Brasil ?

Nos três anos do Governo do Presidente Lula, que criou o Ministério do Turismo, as ações de promoção do Destino Brasil no mercado internacional só têm crescido. Os desembarques internacionais e a receita gerada pelos estrangeiros que nos visitam são dois importantes indicadores desse crescimento. O Brasil está hoje entre os vinte países que mais realizam eventos internacionais. Na verdade, somos o único país da América do Sul nesse ranking. Temos representações nos principais mercados emissores de turistas.


— O senhor acredita que ainda é representativa a imagem do Brasil no exterior como um destino de turismo sexual?

Não. A imagem que o Brasil tem no exterior não está absolutamente vinculada a essa questão. Há alguns anos isso vem mudando. Neste governo, o combate à exploração sexual de crianças e de adolescentes é uma prioridade, na qual atuam vários ministérios. No Turismo temos o programa Turismo Sustentável & Infância, que hoje já conquistou o apoio integral do trade turístico, que não quer aqui no país esse turista que não passeia, não experimenta a culinária local, não gasta, enfim. A proteção de nossas crianças é fundamental para garantir a sustentatibilidade do turismo brasileiro.


— O senhor continua achando que o turismo é o melhor negócio do mundo?

O turismo é a maior atividade econômica do mundo, segundo a Organização Mundial do Turismo. Gera empregos e renda e promove a inserção social. É uma atividade fantástica para o desenvolvimento de um país. Uma pesquisa que o Ministério do Turismo faz com a Fundação Getúlio Vargas, a cada três meses, ouvindo oito segmentos do turismo, mostram um otimismo permanente dos empresários com os seus negócios, confirmando a OMT.