A capital do século em transformação

Reportagem Andréa Rocha
Fotos Henry Yu, Daniel Mansur

Há pelo menos uma década, Belo Horizonte está vivendo um período de grande efervescência com a revitalização de áreas de circulação e lazer e melhoria de infra-estrutura. Exceto o período de construção da cidade, no final do século XIX, nunca se viu tanta transformação em tão pouco tempo.

Nos últimos três anos, a capital mineira transformou-se num verdadeiro canteiro de obras para que se torne um efetivo espaço de mobilidade social e desenvolvimento econômico. O momento é de convergência. Governos federal, estadual e municipal investem em infra-estrutura urbana para garantir à cidade condições de crescimento. Iniciativa privada, instituições de ensino e outros segmentos da sociedade participam ativamente da processo, gerando produtos, serviços e recursos humanos de alta qualidade.

Em aproximadamente um ano, Belo Horizonte contará com toda a infra-estrutura necessária para garantir melhoria de qualidade de vida à população; para atrair novos investimentos e, ainda, para se consolidar como um dos maiores pólos de turismo de negócios do país.

Até o final do ano deve ser concluído um dos mais ambiciosos projetos viários dos últimos tempos. Em 34,5 km de extensão, a Linha Verde permitirá rápido e fácil acesso entre o Aeroporto Internacional de Confins, agora revitalizado, e o centro da cidade. A ampliação  de grandes avenidas como a Cristiano Machado e a Antônio Carlos integra este esforço de melhoria da circulação, enquanto a ampliação do Centro de Convenções Expominas dará à cidade o tão esperado espaço para a realização de eventos e negócios de grande porte.

Belo Horizonte inaugura um novo ciclo de desenvolvimento

Até agora, a história de Belo Horizonte podia ser contada a partir de dois grandes marcos. O primeiro foi a chegada de um dos mais respeitados caçadores de esmeraldas do século XVII, que por um bom tempo fixou residência na região, mesmo não tendo encontrado a prata e o ouro que tanto buscava. Logo depois vieram outros aventureiros, que fizeram da localidade importante ponto de comércio.

O segundo grande momento da cidade aconteceu com a transferência da capital das Minas Gerais, na passagem do século XIX para o século XX. No calor das recentes discussões e lutas pelo fim da escravidão e começo do Brasil República, era preciso criar um novo espaço político, capaz de tirar, do imaginário popular, o passado de exploração, submissão e escravidão. Assim, Ouro Preto, antiga vila rica do império português, não representaria mais os anseios de modernidade do Brasil República.

E Belo Horizonte - então Curral Del Rey - seria a representação concreta deste novo momento que o país tanto almejava. A transferência da capital representou não apenas um novo começo para Minas e para o Brasil - agora liberto do controle português e com homens livres para o trabalho e consumo -, mas também a consagração de Ouro Preto como patrimônio da humanidade.


Modernidade como símbolo

Primeira cidade planejada do país, Belo Horizonte passou a ser um divisor de águas entre o arcaico e o moderno Brasil. E esta vocação de liderança e de representatividade no cenário nacional mantém-se até os dias de hoje. A capital mineira ocupa posição central não apenas no mapa brasileiro, mas também nas decisões estratégicas do país.

Na esteira do milagre econômico brasileiro, os anos 70 marcaram uma fase de crescimento, com a intensificação da mineração de ferro nas imediações da cidade. A partir dos anos 80, a cidade foi impulsionada por grandes investimentos como a Fiat Automóveis e a Refinaria Gabriel Passos (Regap), da Petrobrás. Instaladas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, atraíram vários outros empreendimentos para o Estado.

Atualmente, o parque industrial de Belo Horizonte está entre os cinco maiores da América do Sul, com destaque para a indústria automobilística e autopeças, siderurgia, eletroeletrônica e construção civil. Nos últimos anos, a capital mineira tornou-se importante núcleo de estilismo e moda, e, na prestação de serviços, desenvolveu-se especialmente no turismo de negócios. 

Mas ainda assim, Minas Gerais, com forte vocação para a área de serviços, se ressentia de investimentos em infra-estrutura e de melhores condições para a geração de negócios e empregos. Num esforço conjunto, a cidade agora se organiza para um crescimento que garanta melhores condições de vida para as gerações futuras.

Tendo como princípio o desenvolvimento sustentável, Belo Horizonte se prepara, neste início do século XXI, para o terceiro grande momento de sua história.


Um novo ciclo
     
O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, costuma lembrar que Belo Horizonte - cidade planejada - tem que ser reinventada a cada dia.

Essa reinvenção, agora em curso, tem como pilares a cultura, os hábitos e a vocação econômica da cidade. Atualmente, o setor de serviços, que reúne as atividades de eventos e turismo, responde por 84% da atividade econômica de Belo Horizonte. Prestadores de serviços nas mais diversas áreas; uma grande rede de hotéis, bares e restaurantes; além de grandes espaços para a realização de eventos empresariais e culturais dão suporte para a realização de negócios e para o desenvolvimento do setor de turismo na capital mineira.

Além de uma das melhores redes hoteleiras do país, Belo Horizonte tem, em seu favor, uma localização privilegiada, na região mais desenvolvida do Brasil, com facilidades de acesso por aeroportos e rodovias.

Por estas razões, o setor de turismo está em franco crescimento em Belo Horizonte. Em 2005 houve aumento de 50% no índice de ocupação hoteleira, um patamar histórico para a capital. No ano passado, a capital sediou cerca de 4 000 eventos, sendo a maioria feiras, congressos e exposições dos mais diversos setores profissionais e econômicos, atraindo pessoas de diferentes pontos do Brasil e do mundo.


5º lugar no ranking de eventos

Segundo a Secretaria de Estado de Turismo, Belo Horizonte ocupa a décima posição entre as cidades brasileiras com destino para feiras e convenções. No entanto, dados da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), de 2003, já apontavam que o número de passageiros que desembarcam em Belo Horizonte coloca a capital mineira em quinto lugar, atrás apenas de destinos como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A previsão é que, muito em breve, a capital mineira esteja entre as lideranças desse ranking.

Nos próximos anos, o setor de serviços - incluindo o turismo de negócios - pode ter uma participação ainda maior na economia de Belo Horizonte, gerando benefícios para toda a população. Até o final do ano serão concluídos importantes projetos de infra-estrutura conduzidos simultaneamente pelos governos estadual e municipal, com o apoio do governo federal. A expectativa é a melhoria nas condições de circulação de mercadorias, serviços e riquezas, gerando desenvolvimento sustentável para a capital e para o Estado.


Linha Verde

Belo Horizonte está vivendo um momento ímpar em sua história. Lançado em maio de 2005, pelo Governo de Minas, o Linha Verde é o maior conjunto de obras viárias, das últimas décadas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

O projeto, que deve ser concluído até o final de 2006, inclui intervenções em grandes avenidas da cidade, como a Andradas e a Cristiano Machado, e na rodovia MG-010. Será uma via de trânsito rápido, que vai ligar o centro da capital ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, distrito de Lagoa Santa (na Região Metropolitana de Belo Horizonte). A estimativa é que o investimento, de cerca de R$ 250 milhões, assegurado pelo Governo de Minas Gerais, beneficie cerca de 3,5 milhões de pessoas em quase 100 bairros da capital e mais de dez municípios.

Para se ter uma idéia do tamanho do projeto, a melhoria do sistema viário da avenida Cristiano Machado, como parte da Linha Verde, está significando a remoção e o  reassentamento de 957 famílias ou estabelecimentos comerciais. Com várias intervenções, a avenida deve ficar pronta em outubro deste ano.


Valorização

Antes disso, em julho, devem ser concluídos o Boulevard Arrudas (início da Linha Verde, no centro de BH) e a duplicação da rodovia MG 010 até o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins). Na rodovia que liga o hiper-centro ao aeroporto, além da duplicação e restauração das pistas, serão construídas vias marginais, trincheiras, passarelas para pedestres e ciclovias. O Boulevard Arrudas, localizado na região central da cidade margeando toda a extensão do Parque Municipal, consistirá numa cobertura do ribeirão Arrudas, que dará lugar a pistas mais largas para o tráfego, faixas preferenciais para o transporte coletivo, ciclovia e um completo tratamento paisagístico.

Entre os benefícios previstos com  a Linha Verde  estão maior  fluidez no tráfego, com redução dos custos operacionais do sistema de transporte; mais segurança para pedestres e população vizinha; mais rapidez  no acesso do trabalhador ao centro e à área hospitalar, além de redução da poluição com a requalificação e revitalização das áreas urbanas.

O incremento do Aeroporto Internacional Tancredo Neves deu à via importância estratégica na economia, transformando-a em prioridade para o Governo de Minas e para a Prefeitura de BH. A diminuição do percurso do centro de Belo Horizonte até o Aeroporto de Confins vai possibilitar também a sua consolidação como aeroporto industrial. Este fator é considerado determinante para a criação de pólos de comércio exterior em Minas Gerais. Assim, a Linha Verde contribui, definitivamente, para a expansão do turismo de negócios em Belo Horizonte.

A expectativa é que o desenvolvimento de um novo pólo industrial e do turismo de negócios atraia  novos empreendimentos, gerando empregos diretos e indiretos durante e depois da construção da obra. 

Segundo a Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais, há grande expectativa de valorização das regiões que serão atendidas pela via e uma crescente demanda por áreas no seu entorno.

A perspectiva de desenvolvimento da região Norte motivou a transferência do Centro Administrativo do Governo do Estado para as margens da Linha Verde, um projeto ambicioso, que passará a ser mais um atrativo para a expansão dos negócios em toda a região norte da capital.


Centros de eventos

Seriam inúteis os esforços dos governos em melhorar os eixos de transporte de Belo Horizonte, em transferir os vôos para Confins ou investir na Linha Verde, se a capital mineira não pudesse contar com um Centro de Eventos de grande porte.

Pensando nisso, o Governo de Minas Gerais investiu R$ 75 milhões na ampliação do Expominas, com recursos da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (confira no quadro nesta reportagem). A ampliação da MG-10 permitirá o fluxo de livre de veículos entre o aeroporto internacional e o centro de exposiçõespor meio do Anel Rodoviário.

A Expominas ganhou dois novos pavilhões, um centro administrativo de dois andares e ampliação da área construída de 16 mil metros quadrados para 43 mil metros quadrados. Agora, o Centro de Convenções tem  capacidade para receber 45 mil visitantes e expositores. Com esta ampliação, Belo Horizonte se colocou em excelentes condições de receber eventos de grande porte.   

 Os investimentos do governo mineiro na ampliação do Expominas são mais do que justificados. Embora  Belo Horizonte conte com uma considerável infra-estrutura, com mais de 60 espaços para eventos, entre centros públicos e privados, pertencentes ou não a hotéis, a grande maioria não tinha capacidade para acolher eventos de grande porte.

Em sua grande maioria, os espaços são destinados a eventos de pequeno e médio portes. Os mais conhecidos são o Minascentro, o Palácio das Artes e a Serraria Souza Pinto, além das salas de hotéis como o  Ouro Minas, Mercure, Othon Palace e de centros de convenções como os espaços Séculus, Luminis, Niágara, o Centro de Convenções Life Center e o Campus Aloysio Faria, da Fundação Dom Cabral, além  do belo espaço “multifuncional” do Chevrolet Hall com capacidade para abrigar, simultaneamente, shows, espetáculos teatrais, competições esportivas, feiras, congressos e festas. Há ainda o Mega Space, localizado na vizinha Santa Luzia, com mais de 500 mil metros quadrados de área totalmente cercada e espaço multiuso com capacidade para receber até 100 mil pessoas.

Em 2001, Belo Horizonte sediou 3.750 eventos, reunindo nada menos que 4,18 milhões de pessoas, das quais 1,3 milhão, de turistas. Naquele ano, o negócio de turismo representou 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB) de Belo Horizonte. Por esta razão, os governos de Minas e de Belo Horizonte, com o apoio do governo federal,  trabalham para que a cidade se transforme, definitivamente, na grande capital de eventos e negócios da América do Sul.

Uma parceria entre os governos federal, estadual e municipal está permitindo a duplicação da avenida Antônio Carlos, importante eixo de transporte que liga o centro da cidade à região Norte - onde está o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e para onde será transferido o Centro Administrativo do Governo do Estado.


Centro Vivo
     
A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte tem executado, com muito sucesso e aceitação da população, um conjunto de obras e projetos sociais que visam à recuperação de toda a área central da cidade. As ações envolvem a requalificação de espaços públicos, ruas e avenidas, a preservação do patrimônio, além de obras de melhoria e manutenção da infra-estrutura. Também contemplam a qualidade ambiental, a valorização da paisagem urbana, a melhoria das condições de mobilidade e a segurança.

Uma das ações de maior impacto do programa foi a transferência dos camelôs que ocupavam as calçadas para shoppings populares, gerando mais segurança e conforto para os pedestres e também para os ambulantes, que agora têm um local específico para exercer sua atividade.

Outro projeto de destaque foi o Olho Vivo, São 72 câmeras de segurança, instaladas em pontos estratégicos da cidade como o hipercentro, o Barro Preto e a Savassi. O projeto, fruto de uma parceria entre a Prefeitura, Câmara dos Dirigentes Lojistas e o Estado, reduziu significativamente os índices de criminalidade no centro da cidade.

As obras de revitalização do Centro da capital ganharam uma nova etapa este ano a partir da rua Carijós, com a reforma de toda a rede de drenagem, para a requalificação das calçadas nos dois quarteirões, entre a rua São Paulo e a avenida Paraná.


Museu de Artes e Ofícios

O Museu de Artes e Ofícios também integra o cenário da Praça da Estação, revitalizada pelo programa Centro Vivo da Prefeitura. Inaugurado em dezembro de 2005, incorporou à Belo Horizonte mais uma opção cultural. Criado pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez, com a parceria dos governos federal, estadual e municipal, o Museu abriga um acervo de duas mil peças originais do século XVIII ao XX que representam o universo do trabalho, das artes e dos ofícios no Brasil.

A recuperação da igreja São Francisco de Assis, no Conjunto Arquitetônico da Pampulha, fruto de uma parceria entre a Prefeitura, a Petrobrás e a Fundação Roberto Marinho, recebeu o título de “Melhor Projeto de Restauro do Brasil”, conferido pelo Guia 4 Rodas Brasil.



Os contornos e brilhos da lagoa e as linhas circulares da arquitetura modernista fazem da Pampulha uma das paisagens mais lindas da cidade. Um dos mais importantes patrimônios arquitetônicos de Belo Horizonte e do país, o conjunto da Pampulha, projeto de Oscar Niemeyer, prima pela beleza e sofisticação. (Foto Henry Yu)


A avenida Afonso Pena (e o Parque Municipal) é um vibrante espaço de cultura, comunicação, atividade política, comércio e lazer. (Foto Henry Yu)

Igreja de São Francisco de Assis: um tesouro idolatrado pelo povo de Belo Horizonte. (Foto Daniel Mansur)


Museu de Artes e Ofícios: duas mil peças originais dos séculos XVIII ao XX. (Foto Daniel Mansur)

Parque Municipal: 180 m² onde estão mais de 50 espécies de árvores. (Foto Henry Yu)


› Centro de Convenções,
Moderno e eficiente. (Foto Daniel Mansur)

O conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade reúne obras da arquitetura moderna, art déco e pós-moderna. (Foto Henry Yu)


Praça Sete de Setembro: o coração de Belo Horizonte. (Foto Daniel Mansur)

› Mercado Central,
berço da cultura popular. (Foto Daniel Mansur)


Museu de Mineralogia: Construção do início dos anos 90, é um dos primeiros exemplares da arquitetura pós-moderna da cidade. Embora tenha outra linguagem, seu volume e altura se harmonizam aos dos prédios ecléticos do período da construção da cidade. Foi elaborado pelos arquitetos Éolo Maia e Sylvio de Podestá. (Foto Henry Yu)

Torre Alta Vila: centro de compras e lazer. (Foto Daniel Mansur)


A cidade dos bares.
Bar Via Cristina: tanto os ambientes descontraídos quanto os mais sofisticados têm em comum a cerveja gelada e um tira-gosto de qualidade. (Foto Daniel Mansur)

Prédio da Praça da Estação, onde está o Museu de Artes e Ofícios. (Foto Daniel Mansu)


Savassi,
ares cosmopolitas. (Foto Henry Yu)